Por Natália Matvyenko e João Moura
O concreto da Praça Roosevelt, no coração do centro de São Paulo, guarda a memória de um tempo em que as cidade ainda podia ser lida como um organismo vivo, orgânico e, sobretudo, imprevisível. Ao caminhar pelo local num sábado de tarde, o visitante encontra uma superfície que exala uma clareza suspeita. As calçadas estão desprovidas de resíduos, as lixeiras não transbordam, e o concreto das arquibancadas, palco de tantas disputas, permanece estranhamente desobstruído. É a estética da ordem a primeira vista. Trabalhadores renovam partes da praça, repintando o que foi desgastado, projetando a miragem de uma revitalização perene. É ano de eleição. Em contraste a isso, há gente por todo lado. O som das rodas de skate a riscar o granito, os gritos das crianças e a música abafada que escapa de caixas portáteis conferem ao local uma vitalidade imediata. Mas quem se detém por alguns minutos percebe que a praça, embora cheia, carrega uma atmosfera estranha. As pessoas parecem habitar o espaço enquanto o vigiam, monitorando o entorno com uma atenção que não condiz com o lazer. É como se a simples existência ali exigisse um estado de alerta constante, uma defesa contra uma ameaça que, embora invisível, é sentida no ar.
O entorno da praça não é apenas um endereço, acumula histórias, um enclave cercado por teatros, companhias de circo e bares que desafiam a especulação imobiliária e o passar das décadas. Historicamente, a praça consolidou-se como um território de ocupação vibrante, onde a arte cênica e o encontro fortuito prescindem de ingressos, de portões ou de convites formais. Ainda é possível encontrar vestígios dessa vocação: malabaristas que ensaiam nas sombras, grupos ao redor de um tabuleiro de dominó, transeuntes que cruzam o espaço carregando figurinos como se fossem segundas peles.
Essa vivência, contudo, divide o solo com uma presença distinta. Viaturas da Guarda Civil Metropolitana ocupam parte considerável do espaço, estacionadas em pontos estratégicos, com agentes que circulam pelo perímetro e pelos acessos internos com uma regularidade que altera o ritmo do lugar. Para o olhar do turista desavisado, trata-se de um local bem guardado. Para quem o frequenta, a leitura é outra, tecida em insegurança e na sensação de que a liberdade ali é uma concessão temporária, sempre sujeita a revogação.
Eliane, frequenta a Roosevelt há anos. Cresceu brincando em praças de outros bairros da forma que as crianças costumavam usar esses espaços: para ficar à toa, para brincar sem que isso exigisse nada de ninguém. Hoje, é na Roosevelt que ela aparece com regularidade, conhecendo o movimento do lugar em diferentes horários, reconhecendo os rostos que se repetem. Conta que um amigo próximo, morador do entorno, foi assaltado diversas vezes naquele espaço e mesmo assim continuou indo, por hábito e por falta de outro lugar acessível na região onde pudesse estar ao ar livre sem precisar consumir nada. Ela própria diz não se sentir segura, especialmente à medida que a tarde avança e a iluminação da praça passa a depender das luminárias públicas, que nem sempre funcionam todas. O que a incomoda, porém, não é apenas o risco concreto de ser abordada ou ter algo roubado. É a naturalidade com que esse risco foi absorvido como parte da paisagem, transformando a ocupação do espaço num ato consciente, um lembrete de que, mesmo sob tensão, o cidadão ainda reivindica o seu chão. A pergunta que fica depois de conversar com ela não é por que as pessoas deixam de ir. É por que continuam indo apesar de tudo, e o que isso diz sobre a ausência de alternativas.
Na mesma dinâmica de resistência e cotidiano está Kevin, de vinte e quatro anos, suas manobras em BMX são uma extensão da sua identidade. Para ele, a Roosevelt é um porto seguro num cotidiano incerto, um local onde a rede de apoio se tece entre desconhecidos. O grupo de praticantes de BMX se comunica por mensagem e combina encontros, mas às vezes as pessoas simplesmente aparecem sem precisar agendar nada, porque a praça é o ponto fixo de uma semana que nem sempre oferece muitas âncoras desse tipo. O que Kevin descreve com mais precisão, e com a mesma tranquilidade, é o “enquadro”. Com regularidade, agentes da polícia militar e da GCM abordam os frequentadores que praticam esportes urbanos na praça. Acontece com ele, com os outros do BMX, com os do skate, com quem anda de patins. As mochilas são revistadas, as bicicletas inspecionadas, os bolsos esvaziados sobre o banco de concreto mais próximo. Isso ocorre mesmo quando os agentes já conhecem as pessoas, já viram aquelas bicicletas antes, já sabem que aqueles jovens aparecem ali toda semana. A abordagem acontece de qualquer forma, sem justificativa apresentada, com uma frequência suficiente para que todos já estejam acostumados e tratem o assunto como parte da rotina, como se fosse o preço de frequentar o espaço.
Essa diversidade convive com uma tensão constante, uma eletricidade que não explode em nenhum momento observável e tampouco desaparece. As mulheres mencionam o medo de violência, especialmente no período entre o fim da tarde e o começo da noite, quando o movimento muda de composição e a iluminação piora. Os praticantes de esporte mencionam as abordagens policiais como algo que interrompe o ritmo do encontro, que obriga a pausar o que estava sendo feito e se submeter a uma revista que todo mundo já sabe que não vai encontrar nada. Quem está com criança fica de olho nos arredores enquanto conversa. Quem está sozinho também. A alegria que existe ali é real, e é exercida com vigilância e tensão e contamina seu entorno.
No fim da tarde, do outro lado da praça, ao lado da SP Escola de Teatro, ponto marcante da região, o bar Mamadi começava a ganhar movimento. O bar é antigo e carrega parte da memória do que a Roosevelt ainda tenta ser. As mesas da calçada vão sendo ocupadas, e a luz branca do interior contrasta com o azul que o céu adquire naquele horário em São Paulo antes de escurecer de vez. A intenção é voltar para conversar com quem tem comércio naquele local há mais tempo e com moradores antigos do bairro, para entender como eles percebem as mudanças que a praça atravessou nas últimas décadas e o que enxergam quando olham para o que ela é hoje.
Um cenário de fragilidade e resiliência que pode mudar no futuro. Uma nova ameaça, talvez a mais definitiva de todas: a possibilidade de que ele esteja com seus dias contados. Paira sobre o horizonte o projeto de entregar a administração do espaço à iniciativa privada por meio de um contrato de concessão municipal. Ao analisar o edital e os documentos que regem essa transição, percebe-se que o que está em jogo vai muito além da gestão de infraestrutura. Está na apropriação do espaço por empresas e a possibilidade de utilização de naming rights, que permitiria associar marcas corporativas ao nome da praça, como acontece nos estádios de futebol. Para quem frequenta, isso não é apenas uma estratégia de marketing, mas uma ameaça direta à memória histórica do lugar. A ideia de que o nome Roosevelt, apesar de estrangeiro, possa ser subjugado por marcas comerciais, ou de que o patrimônio da praça seja mercantilizado para satisfazer métricas de eficiência empresarial, é o primeiro sinal de uma erosão cultural. Não se trata de mudar apenas um nome numa placa, mas reconfigurar o significado e o sentido de um lugar que pertence à memória coletiva da cidade.
EDITAIS
A burocracia dos textos legais, embora carregada de promessas de manutenção e zelo, esconde perigos nas entrelinhas. A cláusula 12.3 determina que a concessionária não pode utilizar grades, cercas ou barreiras físicas que impeçam a circulação. Mas a cláusula 8.9.6 prevê o fechamento parcial da área em determinadas situações, mediante autorização da Prefeitura, essa é a pegadinha. Há uma contradição flagrante entre o discurso de acesso livre e a possibilidade jurídica de bloqueio pontual do trânsito, transformando o espaço público num território de exceções onde o direito de ir e vir se torna um privilégio, não uma garantia.
O ceticismo aumenta diante da linguagem vaga utilizada em outras passagens do documento. A cláusula 1.1.18 estabelece que a concessionária deve evitar excesso de ruído, poluição visual e ocupação inadequada, mas não define com clareza o que configura excesso nem quais são as consequências reais caso esses impactos ocorram. Sem limites claros, essas definições se tornam instrumentos nas mãos da concessionária para censurar ou expulsar quem não se enquadra no padrão estético ou comercial desejado. A vizinhança fica à mercê de interpretações arbitrárias que podem priorizar o silêncio da mercadoria em detrimento da voz da rua.
A questão da gratuidade das atividades propostas no contrato também é nebulosa. O documento determina a oferta de trinta e seis atividades de interesse coletivo distribuídas pela semana e dois eventos por mês, mas não esclarece, de forma explícita, se tais ações deverão ser inteiramente gratuitas ou se o acesso a elas poderá ser condicionado a algum tipo de pagamento. A ausência de garantias sobre o conforto e a segurança dos moradores durante esses eventos reforça a sensação de que a prioridade da concessão não está no bem-estar do usuário atual, mas na operação eficiente de um ativo.
Outro ponto crítico é a permissão para que a concessionária realize obras e intervenções físicas no espaço, incluindo a construção de novos quiosques e estruturas comerciais, sob a justificativa de ampliar a receita ou melhorar a operação. O contrato abre a porta para alterações estruturais que podem comprometer a lógica atual de convivência em nome de uma lógica de exploração comercial. A previsão de eventos de grande porte, com capacidade para mais de duzentas e cinquenta pessoas, traz consigo a promessa de ruído intenso e impactos para quem vive e transita na região. A Roosevelt corre o risco de deixar de ser uma praça para se tornar um shopping a céu aberto, onde a permanência é medida pelo poder de compra.
O quadro que se desenha diante das análises dos termos contratuais, é o de um espaço público sendo convertido em ativo privado. Quando o Estado transfere para a iniciativa privada a responsabilidade sobre um espaço de tal relevância, ele não está apenas cedendo a gestão. Ele está, na prática, terceirizando o direito à cidade. A lógica aqui é a da produtividade: se um espaço não gera lucro, ele deve ser otimizado. E a otimização, nesse modelo, costuma começar pela expulsão de quem não consome. O que está em jogo excede a arquitetura, o granito, os quiosques ou a iluminação. É a inviabilidade de um espaço que pertença a todos, independentemente de ingressos, de consumos mínimos ou de autorizações empresariais. A cidade, que deveria ser o palco da diferença e da convivência, começa a se fragmentar em ilhas de exclusão geridas por lógicas de mercado que não compreendem a complexidade e a beleza do viver urbano.
O futuro da praça não deveria ser confinado às cláusulas de um edital técnico, desenhado longe dos olhos de quem a frequenta diariamente que entre enquadros policiais e a ameaça da privatização, insistem em permanecer lá. A praça, com toda a sua tensão, com seus teatros, com seus skatistas, com suas senhorinhas e seus artistas, é um termômetro da democracia urbana. Enquanto o sol se põe atrás dos prédios da Consolação, iluminando o concreto da praça, a presença dos que lá habitam é um lembrete persistente de que o espaço público não é um produto a ser vendido e nem assombrado por fantasmas corporativos.
Por: Kaleo Ferreira, Helena Haddad, Julia Sena e Inaiá Misnerovicz
Por Jessica Castro e Isabelle Rodrigues
Na zona noroeste da capital paulista, entre ruas de terra e terrenos antes marcados pelo abandono, surgiu, há mais de duas décadas, uma outra forma de ocupar áreas improdutivas. A Comuna da Terra Irmã Alberta nasceu da luta de famílias sem moradia e sem acesso à terra, organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que enxergaram em um terreno degradado de Perus a possibilidade de reconstruir não apenas o espaço, mas também os vínculos entre as pessoas e a natureza. Muito mais do que hortas, árvores frutíferas e sistemas agroflorestais, a ocupação foi crescendo junto com as relações criadas ali. No plantio, laços fortes e profundos são cultivados entre os membros da comunidade.
A relação entre agroecologia e pertencimento aparece de forma intensa na trajetória de Joselene Araújo, de 53 anos, moradora da ocupação há mais de uma década. Nascida em Iaçu, na Chapada Diamantina, na Bahia, ela conta que a conexão com a terra começou ainda na infância, quando passava os finais de semana na roça do avô. Anos depois, já vivendo em São Paulo e trabalhando em diferentes funções para sobreviver, encontrou na Comuna da Terra Irmã Alberta uma possibilidade inesperada de reconstrução.
Joselene chegou ao território sem saber plantar. O primeiro canteiro, feito na frente de casa, quase não cresceu. Foi observando outras mulheres da ocupação e participando de cursos de agrofloresta que começou a aprender sobre manejo do solo, cobertura orgânica e recuperação da terra. Aos poucos, o cultivo deixou de ser apenas uma atividade cotidiana e passou a reorganizar sua própria relação com o lugar.
Hoje, enquanto caminha entre a mandala agroecológica que fizeram no espaço de plantio comunitário, cobertos por folhas secas, ela fala da floresta como quem fala de um organismo vivo. Na agrofloresta, árvores, hortaliças e outras culturas crescem juntas, tentando reproduzir a dinâmica natural da mata. As folhas secas que cobrem os canteiros ajudam a manter a umidade da terra, enquanto restos de poda, capim triturado e matéria orgânica voltam para o solo em um ciclo contínuo de recuperação.
A experiência nesta ocupação faz parte de uma realidade presente em todo o País. Segundo o Censo Agropecuário do IBGE, cerca de 77% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros pertencem à agricultura familiar. Embora ocupem uma parcela menor das terras destinadas à produção agrícola, esses agricultores desempenham um papel fundamental no abastecimento alimentar brasileiro. São responsáveis por uma parcela significativa da produção de alimentos como feijão, mandioca, leite, hortaliças e outros itens que compõem a alimentação cotidiana da população brasileira. Em Perus, essa realidade ganha forma em escala comunitária, onde o cultivo da terra também se tornou uma forma de resistência.
A agrofloresta como modelo de cultivo tem ganhado destaque justamente por combinar produção agrícola e recuperação ambiental. Os sistemas agroflorestais permitem que áreas degradadas recuperem parte de suas funções ecológicas ao mesmo tempo em que continuam produzindo alimentos. Ao favorecer a conservação do solo, a retenção de água, o aumento da biodiversidade e a captura de carbono, a agrofloresta propõe uma lógica diferente daquela baseada na exploração intensiva da terra.
Joselene defende que plantar árvores não é só uma escolha ambiental, mas uma forma de garantir água, alimento e permanência para as próximas gerações. A lógica da agrofloresta, baseada na convivência entre diferentes espécies e no cuidado contínuo do solo, atravessa também as relações construídas dentro da ocupação. O conhecimento circula entre vizinhos, é compartilhado em mutirões e passa de mão em mão, como aconteceu quando dona Maria Alves lhe ensinou a primeira lição sobre como ouvir a terra antes de cultivar nela.
Hoje, o grande desafio enfrentado pela ocupação está no próprio perfil de quem mantém a produção funcionando diariamente. A Comuna da Terra Irmã Alberta é formada majoritariamente por pessoas idosas, muitas delas presentes no território desde os primeiros anos da ocupação. São moradores que carregam décadas de trabalho físico acumulado e que, mesmo com limitações do corpo, continuam responsáveis pelo cuidado das hortas, pela manutenção dos canteiros e pela preservação das áreas de mata.
Na prática, isso significa uma rotina pesada. Carregar regadores, preparar a terra, controlar pragas, revirar os canteiros e lidar com as mudanças do clima exige esforço constante. Em vários lotes, a produção depende quase exclusivamente do trabalho manual dos moradores, que seguem cultivando por necessidade, mas também por vínculo afetivo com o território construído ao longo dos anos.
A permanência dessas famílias também revela a dificuldade de renovação dentro da comunidade. Muitos jovens acabam buscando trabalho fora da ocupação e se afastam do cultivo agrícola, tornando incerto o futuro da produção agroecológica no local. Ainda assim, os moradores mais antigos seguem tentando transmitir os conhecimentos aprendidos ali, desde o manejo da terra até o entendimento de que preservar a floresta é também garantir água, alimento e continuidade para quem vive naquele espaço.
A preocupação não diz respeito apenas à ocupação. Em um País onde a agricultura familiar continua sendo uma das principais responsáveis pela produção de alimentos, a transmissão de conhecimentos entre gerações tornou-se um desafio crescente. O envelhecimento da população rural e a saída dos jovens do campo colocam em risco saberes acumulados ao longo de décadas, muitos deles fundamentais para a manutenção de formas de cultivo mais sustentáveis e adaptadas aos diferentes territórios brasileiros.
Preservar esse equilíbrio tem se tornado cada vez mais difícil. A presença de pessoas que não fazem parte da organização do movimento e passaram a ocupar áreas do território de maneira irregular cresceu. Segundo os agricultores, muitos desses espaços acabam sendo vendidos informalmente, descaracterizando a proposta coletiva construída desde o início da ocupação. Para quem vive da terra e participa da luta pela reforma agrária há anos, ver o território tratado como mercadoria provoca um sentimento constante de insegurança.
Joselene conta que a tensão se tornou parte da rotina de quem tenta preservar as áreas de cultivo e de mata. Em alguns casos, plantações já foram destruídas por incêndios provocados dentro do território. O fogo, além de atingir diretamente a produção de alimentos, compromete o solo, afasta animais e enfraquece o trabalho de recuperação ambiental feito ao longo do tempo. Em um espaço onde cada canteiro exige tempo, cuidado e manejo constante, perder uma área cultivada significa também perder parte da história construída ali.
Há ainda os desafios silenciosos do próprio cultivo agroecológico. Sem o uso de agrotóxicos, os produtores precisam lidar diariamente com pragas que afetam as hortaliças, principalmente as formigas, apontadas pelos moradores como uma das maiores dificuldades da produção. Muitas vezes, basta uma noite para que folhas inteiras de alface, couve ou escarola sejam destruídas. O combate acontece de forma manual, com manejo natural e observação constante dos canteiros, exigindo um trabalho muito mais cuidadoso e demorado.
Mesmo diante das dificuldades, os moradores seguem insistindo no plantio. Em meio ao avanço das ocupações irregulares, às queimadas e ao desgaste físico acumulado por quem trabalha na terra há décadas, a agrofloresta continua crescendo devagar, quase no mesmo ritmo das pessoas que decidiram permanecer ali. Enquanto fala sobre o futuro da ocupação, Joselene aponta para as mudas de árvores nativas separadas ao lado da horta. São dezenas delas, prontas para o plantio. Na ocupação Comuna da Terra Irmã Alberta, reflorestar é uma maneira de resistir e permanecer.
Por Tamara Ferreira e Guilbert Inácio
Por Amanda Campos e Lorena Basilia