São Paulo conta com 46 candidaturas coletivas registradas, das quais 33 são para deputado estadual, 12 para deputado federal e uma para senador nas eleições deste ano. Esses movimentos estão filiados a partidos de esquerda e centro-esquerda. Partidos como o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e o PT (Partido dos Trabalhadores), contam com um pouco mais de 40% das candidaturas coletivas registradas.
O número de candidaturas coletivas quintuplicou em comparação com as eleições de 2018, em São Paulo. Na última corrida eleitoral, 18 mandados coletivos concorreram a cargos no Legislativo, enquanto neste ano o número chegou a mais de 40 candidaturas. Esta modalidade se popularizou por possibilitar ao candidato um meio mais competitivo para disputar as eleições.
Os coletivos, que surgiram como uma alternativa aos cargos individuais, visam à descentralização do poder e o aumento da representatividade e participação popular. São formados por pessoas com um propósito político comum, que se organizam e escolhem um membro para representá-las no congresso. Desta forma, além do titular do mandato, os demais integrantes também participam das tomadas de decisão.
Dentre as principais causas desses movimentos estão: a luta pelo direito igualitário das mulheres, a luta antirracista, a luta pró-LGBTQIA+ e a luta pela educação de qualidade.
Uma dessas candidaturas é a do movimento Povo da Cultura, que concorre pela primeira vez a um cargo na ALESP (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) pelo PSOL. O movimento, formado por representantes de diversos movimentos culturais de São Paulo, atua pela valorização da cultura enquanto principal foco de enfrentamento aos diversos preconceitos da sociedade, como o fascismo e o racismo.
Para Bruna Reis, co-deputada do Povo da Cultura, a ideia de um mandato coletivo é de permitir um espaço aberto à participação popular constante, seja por meio da chapa, do coletivo, ou até mesmo dos conselhos estaduais e regionais: “É essencial um Mandato Coletivo da Cultura que institua mecanismos de participação, acolhendo diversos lugares de fala, contextos territoriais e somando vivências e experiências de diferentes atores, para que os processos se construam de forma plural”
A doutora em direito político Roberta Gresta, vê o modelo atual positivamente: “O modelo atual de ‘candidatura coletiva’ têm permitido que pautas transversais aos partidos políticos aflorem no debate eleitoral e se fortaleçam, o que é benéfico à diversidade e, portanto, à democracia”
“Temos visto experiências ricas em que os chamados 'co-candidatos' ganham visibilidade durante a campanha, integram posteriormente o gabinete da pessoa eleita. Isso aumenta a identificação social do mandato e pode servir como celeiro de lideranças e de futuras candidaturas”, exemplifica a doutora.
Entretanto, Acacio Miranda da Silva Filho, especialista em direito constitucional, questiona o modelo destas candidaturas: “Os mandatos coletivos têm mostrado pouca efetividade no cumprimento de um dos seus propósitos, que é a descentralização de poder, uma vez que, na maioria dos casos, o titular do cargo exerce hierarquia sobre os demais ‘co-titulares’, o que faz com que, na prática, estes sejam assessores iguais aos demais”
Apesar de terem ganhado força, ainda não foram regulamentados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ano passado, o TSE autorizou o uso do nome do movimento ao lado do “titular”, pois mesmo que a proposta seja de uma candidatura coletiva, o mandato ainda é individual, de acordo com a lei eleitoral.
A não regulamentação dos coletivos, junto com a sua popularização é outro fator que pode gerar dúvida em relação à integridade e seriedade destes grupos. Para Acacio, a falta de regulamentação torna o mandato coletivo uma mera narrativa eleitoreira, sendo usado por alguns apenas para facilitar o êxito eleitoral.
“Após a devida regulamentação, a sistemática será válida, especialmente com vistas a tornar mais plurais as discussões legislativas, além de possibilitar disputas eleitorais mais paritárias”, afirma Acacio.
Por outro lado, para Roberta, a regulamentação dos mandatos coletivos pode pôr em xeque uma regra basilar da democracia ao interferir no peso dos votos: “Se grupos poderem concorrer com vários candidatos, isso multiplicará o peso de quem votou no grupo, já que em lugar de eleger um único candidato com um voto, o eleitor elegeria vários”
“O grupo também levaria vantagem sobre a candidatura uninominal se pudesse continuar concorrendo caso um de seus componentes fosse declarado inelegível”, explica a doutora. Por isso, Gresta vê o modelo atual de "candidatura coletiva” positivamente: “Acredito que o mais equilibrado é manter as regras como são hoje: candidaturas individuais, mas com ampla possibilidade de se identificarem com coletivos e movimentos políticos cujas pautas representam”
Para Cris Banhol, do mandato “Educação e Luta”, as possíveis divergências que poderiam ocorrer dentro do movimento não seriam a principal dificuldade: “Assim como nosso partido, o PSTU, nós nos organizamos a partir do centralismo democrático. Ou seja, temos a mais ampla democracia interna para apresentar posições, encaminhamentos e divergências”. Cris conclui dizendo que a falta de tempo e de recursos são problemáticas, mas que podem ser encaradas por meio da total dedicação e organização por parte de seus membros.
“As candidaturas coletivas têm como base principal a união de propósitos de pessoas que até pouco tempo não habitavam o universo político”, esclarece Acácio.
Para Aldenis Dias dos Santos, candidata às eleições federais deste ano pelo coletivo “Mulheres em Todas as Lutas”, e que vivencia a prática democrática do coletivo, a discussão é fundamental. “Os eventuais conflitos são aqueles próprios da luta coletiva. Vivemos em uma sociedade, que um dos tripés dela, uma sociedade pró-lucro, é o individualismo, é a competição. A experiência de mandato coletivo vem para quebrar isso, sendo a única forma de resolução o debate e a discussão"
Há 40 candidaturas coletivas no estado de São Paulo, sendo 27 candidaturas para Deputado Estadual, 12 candidaturas para Deputado Federal, e 1 candidatura para o Senado, de acordo com o levantamento realizado pelo veículo de comunicação JOTA.
A primeira conquista de mandato coletivo na Câmara de São Paulo se estabeleceu com Silvia da Bancada Feminista e Elaine do Quilombo Periférico, ambas candidatas a vereadoras. Conforme o estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), que analisou as candidaturas coletivas nas eleições no ano de 2020, 87,16% do total das candidaturas coletivas registradas foram de partidos de esquerda, 7,64% de direita e 5,20% de centro.
A jornalista e candidata a codeputada estadual com a Bancada Feminista, Simone Nascimento, destaca a importância dos mandatos coletivos como caminho para o poder popular e chama a atenção para essas propostas. Ela diz ser necessário a construção de mandatos coletivos “para descentralizar o poder e o popularizar, onde de uma vez só, se elege cinco mulheres negras, pensando que na história da Alesp, por exemplo, só tiveram quatro mulheres negras eleitas, sendo, duas delas, em 2018”.
O modelo de coletivos no Brasil existe desde as eleições de 1994, segundo a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS). Já as candidaturas eleitorais começaram a crescer em 2012, e hoje contam com 22 mandatos.
“A gente só operacionalizou o modelo que já fazemos na luta do dia a dia, então, é mais uma ‘novidade’ para a política institucional do que para a gente, que sempre construímos as coisas coletivamente”, relata a covereadora do Coletivo Quilombo Periférico, Débora Dias.
Como funciona as candidaturas coletivas de acordo com a legislação
Embora o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permita a candidatura de coletivos, essas não estão previstas em lei. Para existir esse formato de candidatura é necessário que, uma pessoa dentro do coletivo seja definida e registrada oficialmente no tribunal, e esta quem será a candidata responsável pelo cargo, o que muitas vezes pode fazer com que pareça que o candidato oficial não siga os demais ativistas.
No ano 2021, o TSE aprovou uma resolução a qual permitirá que, no ano de 2022, o nome do candidato apareça junto do nome do coletivo do qual ele pertence, porém, continua vedado o registro de nome de urna do grupo ou coletivo social, fazendo ainda com que a candidatura seja individual e condicionando o reconhecimento oficial ser de modo dificultoso.
Para a cientista política e professora, Rosemary Segurado, a autorização para se colocar o nome do mandato na lista seria apenas um pequeno avanço já que, é só um CPF que se responsabiliza pelo cargo.
Na visão de Segurado, a regulamentação dos mandatos pode ser melhorada. “Acredito que a aceitação dos mandatos possa crescer cada vez mais, mas a questão é que eles sofrem preconceitos devido às suas pautas tratarem de movimentos sociais e de ações culturais”, afirma a cientista.
Ela destaca que “um dos princípios segundo a frente dos mandatos coletivos é o compartilhamento de poder que, embora seja exercido internamente, nas instâncias legislativas, essa filosofia não acontece devido à falta de regulamentação no Parlamento”.
De acordo com Agência Câmara de Notícias, tramita na Câmara dos Deputados a Proposta de Emenda à Constituição 379/17, da deputada Renata Abreu (Podemos-SP), que permite a existência de mandato coletivo para cargos do Legislativo (vereador, deputados estadual, distrital e federal e senador). A regulamentação do mandato – a ser compartilhado por mais de uma pessoa – será realizada por lei.
Crescimento nos últimos anos
Em um período de dez anos, o número de candidaturas coletivas ao legislativo pulou de três, em 2012, para 213 em 2022, conforme indica o Observatório das Eleições 2022. Neste ano, grande parte das candidaturas vem de partidos de centro-esquerda, com ênfase para o PSOL (33%) e o PT (16%), e apresentam mais mulheres e pessoas autodeclaradas pretas do que média nacional.
Apesar de ainda estar sem regulamentação, o número de candidaturas coletivas cresceu significativamente na eleição de 2022. Conforme mostra o levantamento do Poder360, realizado com base nos dados do TSE, foram identificadas 218 iniciativas que disputam uma vaga no Legislativo. No total, são 70 nomes para a Câmara dos Deputados, 136 para as Assembleias Legislativas e, pela 1ª vez, 4 para o Senado.
Embora seja notório o crescimento de mandatos coletivos, ainda se vive em uma polarização política que acabou se intensificando nos últimos anos através do enfraquecimento de alguns partidos políticos. Para certos candidatos, a questão de mandatos coletivos vai contra os preceitos de candidaturas por não estarem dentro de acordos jurídicos e estruturados conforme a lei, o que pode prejudicar a escolha do eleitor.
Rosemary Segurado analisa que, para muitos mandatos, esse formato é visto como oportunidade de aumento da presença no parlamento. Contudo, o que não se pode acontecer é, essas candidaturas funcionarem apenas como estratégias eleitorais. Na sua visão, isto seria um problema já que, a iniciativa de mandatos coletivos não se trata apenas de jogo eleitoral, mas sim uma ação política diferenciada de descentralização de poder político. E, caso essa iniciativa se esgote, despotencializa a própria ação política das candidaturas.

(Foto/Divulgação)
Cenário dos Mandatos Coletivos
O mandato coletivo da Bancada Feminista surgiu com necessidade de se ampliar a representatividade do parlamento e democratizar o acesso ao poder institucional. Para a candidata, Simone Nascimento, o que a motivou participar de um coletivo foi a necessidade de transformar suas indignações em luta coletiva. “Acreditar no poder popular é essencial, ou seja, as decisões nas mudanças, demandas e participações cabem ao povo, só que como o parlamento não permite isso a forma de existir um questionamento é fazendo uma ocupação coletiva”, afirma.
Nascimento enxerga que, uma das vantagens de um mandato coletivo é a possibilidade de poder estar em vários lugares ao mesmo tempo, acompanhar mais faltas, mais comissões e fazer um mandato mais representativo das lutas sociais, sendo capaz de ter uma divisão melhor e acabar por representar mais pautas ao mesmo tempo.
A candidata pelo Coletivo do Quilombo Periférico concorda e adiciona que, mandatos coletivos são sim legitimados e, atrás das urnas e de seus eleitores estão jovens revolucionários. “A ousadia da juventude é o que tem sido a força motriz para mim e para novas configurações políticas, enquanto jovem militante e covereadora”.

(Reprodução/MBL)
Críticas contra os Mandatos Coletivos
O Movimento Brasil Livre (MBL) é crítico ao modelo de candidaturas coletivas. No ano de 2021, o vereador eleito, Rubinho Nunes, afirmou através de suas redes que derrubaria tais mandatos.
Amanda Vettorazzo, candidata a Deputada Estadual pelo partido União Brasil e coordenadora nacional do Movimento Brasil Livre, afirma ser contra a formação de candidaturas coletivas. “É uma aberração até jurídica, na minha visão isso é uma coisa que fere até o proposto, que é você ter um ou uma parlamentar, eleito por cadeira”, relata.
Vettorazzo não acredita que uma candidatura coletiva possa ser uma forma renovadora de encarar a política institucional. “Querer uma política nova, positiva não tem relação em derrubar coisas que já existem, o que se deve fazer é eleger pessoas novas, pessoas comprometidas, pessoas capacitadas e a ideia de coletivos não têm a ver com isso, porque você não consegue cobrar esse parlamentar”, destaca a candidata.
O que os humoristas Tiririca e Gustavo Mendes, o ator Mário Frias, o jogador de vôlei Maurício Souza, a mulher do ex-ministro da justiça Sérgio Moro, Rosângela Moro e o político Guilherme Boulos têm em comum? Estes são alguns dos exemplos de puxadores de votos das eleições deste ano.
Humoristas, atores, cantores, atletas ou até familiares de políticos viram candidatos. Eles são os candidatos a deputado federal ou estadual que conseguem muitos votos, aumentando o quociente eleitoral de seu partido e levando outros parlamentares para ocupar cadeiras no congresso também.
O eleitor brasileiro a cada quatro anos tem que se preocupar com muitas coisas: conhecer os candidatos, seus projetos, seu histórico na política etc. Muitas vezes, o que acaba sendo uma escapatória mais fácil, é votar em um candidato famoso.
Como são preenchidas as cadeiras no congresso
Para entendermos a importância dos puxadores de voto, primeiramente, é importante compreender como funciona a eleição de deputados no Brasil. Trata-se de um sistema de votação proporcional, ou seja, o candidato eleito não se elege apenas com seus votos. Os votos recebidos vão, na verdade, para o partido e é estabelecido um quociente eleitoral de forma proporcional ao número de eleitores de cada estado.
O cálculo funciona dessa maneira: se o candidato tiver, por exemplo, 1 milhão de votos no estado de São Paulo e 10 cadeiras para o Estado em Brasília, cada candidato precisa de 100 mil votos para ser eleito. Um exemplo mais concreto é o Tiririca, que há três mandatos vem elegendo mais dois ou três com a votação que ele consegue. Em seu terceiro mandato teve 445 mil votos do colégio eleitoral e levou consigo mais 3 candidatos de seu partido para a Câmara (400 ÷ 100 = 4), que no caso é o PL-SP.
“Alguns puxadores de votos conseguem votação suficiente para eleger dois, três, até cinco parlamentares. Um caso histórico é o do Enéas Carneiro, que em 1994, sozinho, elegeu ele e mais quatro deputados, um inclusive com menos de cem votos. Ele teve um milhão e meio de votos e isso no cálculo, deu mais 4 parlamentares com ele”, afirmou Marco Antônio Carvalho Teixeira, cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O problema de se colocar alguém com pouco entendimento e conhecimento do funcionamento do mundo político, é que eles acabam se tornando apenas figuras usadas pelos partidos para ter mais cadeiras ocupadas por suas legendas e seu viés político. O próprio Tiririca desde 2011 teve apenas 17 leis aprovadas e desde 2019, nenhuma foi sancionada - o que mostra a dificuldade de um candidato ‘totem’ se tornar uma figura presente na política.
“O que acontece é que muitos puxadores de votos acabam chegando no congresso sem ter a menor noção do que vai fazer, sendo graças a sua notoriedade, e não por sua distinção ou diferenças em termos de capacidade de fazer o trabalho legislativo”, observou Teixeira. “Digamos que [os puxadores de votos] tenham sido mais um agregador de cadeiras na bancada dos partidos. É raro a gente lembrar de um puxador de votos que assumiu protagonismo na política brasileira”, completou.
A problemática do sistema proporcional
No Brasil, o sistema de votação proporcional, este em que um candidato consegue levar outros para o Congresso, acontece apenas nas eleições para deputados e vereadores. Segundo João Feres Júnior, cientista político do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), este tipo de eleição acaba sendo mais confuso para os eleitores, e é pouco transparente, visto que, muitas vezes a população não entende ou nem sequer sabe a forma como funciona esse sistema.
“Estamos acostumados a escolher uma pessoa, um nome para votarmos, mas esse tipo de escolha que deve ser feito para o Legislativo é pouco compreendido e faz com que pessoas ineficientes sejam eleitas e ainda levem mais parlamentares consigo”, acrescentou Feres.
As eleições para os demais cargos, como por exemplo, presidente e governador, que também serão votados nas eleições em outubro, são feitas pelo sistema de voto majoritário, ou seja, o candidato com 50% mais um é eleito, um esquema mais fácil para o entendimento dos eleitores.
Os especialistas, Teixeira e Feres, concordam que apesar de os puxadores de votos serem candidatos com alguma fama ou reconhecimento público por fatores ou feitos não políticos, é de se esperar que as eleições deste ano não sejam tão parecidas com as de 2018 nessa questão de eleger famosos. Naquele ano, com a Operação Lava Jato, muitas das pessoas que tinham ou têm cargos relacionados à justiça ganharam bastante credibilidade, além das diversas propagandas políticas trazendo ‘novas pessoas’ ou ‘formas de pensar’ para a política. Além disso, com o uso das redes sociais e algoritmos como estratégia de campanha política, os candidatos artistas e outros, acabaram por ganhar também notoriedade.
Hoje, em 2022, é possível observarmos através das redes sociais e das pesquisas eleitorais, que a população está em busca de candidatos mais ‘tradicionais’ e que tenham militância partidária histórica.
Os candidatos puxadores de votos
Para nós que estamos do lado de fora das campanhas eleitorais, apenas acompanhando pesquisas de intenção de voto e eventos mais pontuais dos candidatos, pode parecer óbvio que algum candidato seja eleito com facilidade e que leve consigo outros companheiros do partido.
Embora os puxadores de votos existam, às vezes, os candidatos com tal potencial podem não se enxergar nesse papel. Guilherme Boulos, candidato a deputado federal pelo PSOL, diz que sua campanha está muito dedicada para que ele seja eleito, mas como não é algo definido ainda, há muito trabalho pela frente agora nesta reta final.
“Nossa candidatura tem um bom recall por conta das eleições de 2018 e 2020, mas isso não significa que seremos puxadores de votos. Há quem acredite até que eu já esteja eleito, o que é um raciocínio equivocado”, afirmou Boulos. "Estamos trabalhando muito, indo às ruas e conversando com a população todos os dias, sempre com pé no chão e sem salto alto. Todo voto importa”, completou.
Não são só os candidatos da esquerda que preferem trabalhar com os pés no chão nesta campanha. O candidato a deputado federal pelo Republicanos, Celso Russomanno, também é muito conhecido por sua atuação na política e também pela sua luta em defesa do consumidor e tem um ponto de vista parecido.O parlamentar conseguiu mais de 500 mil votos nas eleições de 2018 e foi um dos puxadores de votos no estado de São Paulo.
Apesar do seu reconhecimento, a assessoria de Russomanno afirmou que a reta final da campanha eleitoral é muito importante, pois as eleições sempre são diferentes e que não pode cantar a vitória antes, mas que continua confiante em sua campanha e em seus eleitores.
Créditos da foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados
No maior colégio eleitoral do país, a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes se assemelha, cada vez mais, à corrida pela cadeira presidencial. Em meio à onda de incertezas dessas eleições, o Estado que ainda têm em sua memória mais recente a força do antipetismo, se esquiva do bolsonarismo presente e parece colocar o legado tucano do Estado de São Paulo em uma posição diferente dos pleitos anteriores.
Segundo a última pesquisa Datafolha, publicada na quinta-feira (22/9), os três candidatos que se mantêm à frente na corrida mostraram oscilações. Os números mais recentes revelam que o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), atual líder nas pesquisas, marcou 34% contra 36% do último levantamento, Tarcísio de Freitas (Republicanos) subiu de 22% para 23% e o atual governador Rodrigo Garcia (PSDB) manteve a intenção de 19%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais e para menos.
Foto: Reprodução Instagram @fernandohaddadoficial
Reflexo nas campanhas
Por mais que tenha mantido uma certa estabilidade nas pesquisas anteriores, Haddad oscilou negativamente, dentro da margem de erro nos resultados mais recentes. Apesar do crescimento de seus adversários, a cúpula do petista enxerga o lado positivo da moeda. Em conversa com o ContraPonto Digital, Nunzio Briguglio, coordenador da campanha de Haddad, afirmou que as últimas oscilações nas pesquisas mostram um acomodamento natural. “Nem piso, muito menos teto, apenas o balanço da onda das pesquisas”.
A campanha escolheu por não comentar o aumento percentual do adversário tucano que, em um eventual segundo turno contra o candidato petista, utilizaria o legado do partido no Estado para angariar votos.
Haddad tem se apoiado na figura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atual candidato ao Palácio do Planalto, desde o início de sua campanha. Movimento que o ajuda a agregar votos do lado mais progressista do estado, mas que também pode ser uma barreira para seu crescimento, principalmente nas cidades do interior que ainda se apoiam nos governos tucanos.
Há mais de 27 anos governado pelo PSDB, o eleitorado de São Paulo começa a dar indícios de que procura conhecer o atual governador e candidato à reeleição Rodrigo Garcia. Ainda que o movimento seja tímido, agora, o candidato se encontra empatado tecnicamente com o candidato do Republicanos.
Em nota, a assessoria da campanha diz que se apega nestes números, mas avalia se deslocar levemente do discurso anti polarização utilizado até o momento. “O Rodrigo nunca foi candidato a cargos majoritários, então é natural que as pessoas queiram saber sua história e é isso que nós estamos fazendo agora na eleição. Mostrando quem é o Rodrigo e que é um projeto de continuidade daquilo que se fez desde 1994 quando Covas ganhou a eleição”, pontuou o presidente do PSDB em São Paulo, Fernando Alfredo.
Foto: Reprodução Instagram @rodrigogarciaoficial
Diferente de seus adversários, Rodrigo Garcia recusa a ideia de ser “apadrinhado” por outra figura da política atual, “o meu padrinho é toda a minha história”, declara. Seu movimento até este momento da corrida é o de se desvencilhar da imagem do ex-governador paulista João Doria, que deixou o cargo com uma rejeição de 36%. Ao que tudo indica, Garcia permanecerá neste caminho, evocando personagens mais antigos do partido como a família Covas.
O candidato comenta seus mais de 20 anos de vida pública e diz que não está na corrida para defender presidente da República ou a esquerda que, como avalia, quer chegar ao poder. “Estou aqui para defender São Paulo, para defender aquilo que acredito”.
Em contrapartida a nacionalização que Haddad e Tarcísio tem projetado em suas campanhas, o candidato Rodrigo Garcia faz o movimento oposto, fugindo de qualquer vinculação ao seu “antipadrinho”, João Dória. “Se o Dória fosse candidato poderia ser pior para o Rodrigo, sem a figura do Doria ele não é cobrado”, explica Marco Antônio Teixeira, doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP e docente de Ciência Política na FGV-SP.
Ao mesmo tempo que Garcia não se apoia em ninguém, a união com a imagem desgastada de Dória, somado ao seu rol de desavenças políticas com o próprio PSDB “o enfraqueceria mais”, pontua Teixeira.
Já o ex-ministro de Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos), continua próximo da figura do atual Presidente da República e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). A proximidade das duas campanhas havia sido questionada, no início da corrida eleitoral, por integrantes da cúpula do presidente diante da falta de posicionamento de Tarcísio em pautas da agenda bolsonarista. A estratégia, porém, era apaziguar o tom, afinal, o Estado de São Paulo demonstra a rejeição de 53% ao governo de Jair Bolsonaro.
Foto: Reprodução Instagram @tarcisiogdf
Ainda assim, a campanha avalia que, desde o início das pesquisas, o apoio do presidente não deixou de ser uma alavanca para o crescimento de Tarcísio. Em nota, a assessoria da campanha informou que enxerga a rejeição do mandatário como algo natural devido ao momento de crise que o país atravessa. “O que vemos é que o governo federal tem conquistas e entregas importantes e Tarcísio vem sendo porta-voz disso”, afirmam. De acordo com a campanha, a presença do Presidente da República na estratégia continuará.
A assessoria da campanha ainda comentou o empate técnico do atual governador Rodrigo Garcia em relação ao ex-ministro, nas pesquisas mais recentes do Datafolha. A campanha interpreta que a pesquisa confirma que Tarcísio segue na frente. “Apesar dos intensos ataques da campanha do Rodrigo Garcia, todas variações estão na margem de erro.” A campanha do candidato do Republicanos se agarra no que nomeia como “voto mais convicto”.
Mediante as estratégias políticas usadas nessas eleições, o uso das candidaturas paulistas como palanque eleitoral é um dos efeitos da via de mão dupla ocasionada pela nacionalização das campanhas. Segundo Teixeira, o impacto de Haddad e Tarcísio na campanha de Lula e Bolsonaro é justamente a força de palanques “competitivos” no estado de São Paulo, o que reflete e mensura a disputa nacional dessas eleições.
Conservadorismo e antipetismo
Fato é que São Paulo possui um “cinturão do conservadorismo” em sua base eleitoral, demonstrando pontos de polarização ideológica marcados por uma divisão muito forte entre capital, interior e litoral. Dentro do estado existe: “o eleitor de São Paulo sendo mais progressista, o eleitor do interior mais conservador e do litoral é uma mescla, dependendo da cidade é mais conservador, ou mais progressista”, frisa a cientista política da Universidade Federal de São Carlos, Maria do Socorro Braga. Essa repartição não é rígida, porém ela possibilita que as candidaturas enxerguem com mais clareza as regiões com maior ou menor possibilidade de voto dentro do estado.
O cientista social Marco Antônio destaca a “esperança” de Rodrigo Garcia no apoio que vem da “periferia para o centro”, ou seja, do “interior para a grande cidade”. Segundo o professor, o candidato está “confiando” na influência que os prefeitos locais possuem no eleitorado dessa região. Embora isso possa ocorrer, "neste momento a gente não vê uma outra divisão no Estado de São Paulo que não esteja apontando para essa polarização”, conclui Teixeira.
Cientista Social Marco Antônio Teixeira em entrevista com a repórter Malu Araújo- Foto: acervo pessoal.
Já a cúpula do candidato petista, enxerga que o partido tem utilizado sua experiência e administrado as principais cidades do Estado, a fim de minimizar a força do antipetismo nas outras cidades. O coordenador da campanha de Fernando Haddad, Nunzio Briguglio, aponta que os eleitores parecem não se sentir representados pelo “oportunismo de outras candidaturas''. De acordo com ele, nunca uma campanha do PT encontrou tamanha receptividade no interior de São Paulo, embora a rejeição de 36% do candidato no Estado.
Possíveis rumos
O reflexo dos presidenciáveis nas campanhas dos candidatos ao governo de São Paulo estará ligado diretamente a um olhar geral do que foi cada governo, destacam os cientistas. “Temas por exemplo: onde que o país estava melhor? Agora no governo Bolsonaro ou era no governo Lula? Onde de certa forma se desmatava mais? No governo Lula ou no governo Bolsonaro? Onde se buscava ter maior interação com o setor produtivo? No governo Lula ou no governo Bolsonaro?”, segundo Teixeira essas questões vão chegar no âmbito estadual e impactaram de alguma forma as campanhas dos candidatos.
Um dos questionamentos que podem ser feitos ao candidato do Republicanos é sobre sua capacidade de governabilidade do estado, visto que “ministro não é chefe do executivo, não é Governador, não é presidente”, enfatiza Marco.
Já a cientista política Maria do Socorro aponta que o cenário que se desenha para outubro pode ser de desvantagem para o petista Haddad no segundo turno, devido à possível união entre os partidos para derrubar o candidato. “No segundo turno é que vai ser o problema [...] é possível que todo esse pessoal [ PSDB e Bolsonaro] se una para o Haddad não vencer”, afirma Maria.
Dentro das incertezas que restam até o dia 2 de outubro, uma já está no radar da especialista política: se o PSDB perder as eleições do maior colégio eleitoral do Brasil, o qual lhe conferiu enorme credibilidade durante 28 anos, “a tendência é se transformar num nanico assim, em 2026 você vai ter um partido nanico competindo, mas bem pequenininho”, encerra a cientista social Maria do Socorro.
O Movimento Brasil Livre lançou novos candidatos tanto à Assembleia Legislativa, quanto à Câmara Federal para as eleições de 2022, em São Paulo. Os candidatos possuem o objetivo de tentar recuperar, no âmbito estadual, a força do movimento, que, de 2020 para cá, tem sido alvo de escândalos.
O MBL vem de uma série de derrotas políticas. Além da cassação do ex-deputado Arthur do Val - também conhecido como Mamãe Falei - (União Brasil) após o vazamento de áudios sexistas durante a sua viagem à Ucrânia após o início da guerra contra a Rússia, a saída Fernando Holiday (Novo) e o rompimento com o bolsonarismo durante a pandemia da Covid-19 enfraqueceram o movimento.
A professora da PUC-SP, e cientista política especialista em estudos eleitorais, Rosemary Segurado, destaca que o rompimento com o bolsonarismo no meio da pandemia da Covid-19 foi outro duro golpe ao movimento:
“Romperam com o Bolsonaro mas não rompem com os principais princípios defendidos pelo bolsonarismo, então eles ficam sem lugar, pois já tem o bolsonarismo, que é uma parcela consolidada do eleitorado, que não é o caso deles”.
A crise no MBL
A crise se agravou em maio deste ano, quando o então deputado estadual, Arthur do Val, teve seu mandato cassado.
Em março, o ex-parlamentar usou expressões misóginas para se referir às refugiadas ucranianas, e declarou que “elas eram fáceis porque eram pobres”. Além disso, do Val falou sobre uma viagem que um dos líderes do MBL, Renan Santos, fazia anualmente à Europa Oriental para se relacionar com mulheres loiras. A excursão se caracterizaria como turismo sexual.
Mamãe Falei teve seu mandato cassado com 73 votos a favor e nenhum contra.
A professora afirma ainda a pauta da defesa dos valores morais na sociedade sempre foi uma das bandeiras do MBL, e que, portanto, o vazamento dos áudios sexistas de Arthur do Val é um importante fator que ajuda a explicar a sua queda de influência recente, por conotar uma certa hipocrisia.
“O peixe acabou morrendo pela boca. Em 2019, eles organizaram um protesto em uma exposição queer em Porto Alegre e com um discurso muito conservador e preconceituoso, mas aconteceu o que aconteceu com o Arthur do Val. Caíram-se as mascaram e acabaram se enfraquecendo”, afirmou.
Ademais, segundo a professora, a falta de apoio a Arthur do Val durante seu processo de cassação por parte de outros partidos, simboliza um isolamento do MBL ocasionado por uma divisão das direitas após divergências com o atual governo.
A efeito de comparação, o também Deputado Estadual Fernando Cury (União Brasil) teve apoio na Casa após assediar a parlamentar Isa Penna (PC do B). Ele foi punido com a perda do cargo por apenas 119 dias.
O MBL ganhou notoriedade ao se destacar durante grandes mobilizações da direita, como as manifestações antipetistas e a ascensão bolsonarista. Portanto, após o impeachment da ex-presidente Dilma e todos estes golpes, o movimento começou a enfraquecer.
Além de Arthur do Val, outro duro golpe que abalou o movimento foi a saída de Fernando Holiday para ingressar no Partido Novo.
Holiday anunciou sua saída do MBL em janeiro do ano passado. Em seguida, ele se filiou ao Partido Novo - antes era ligado ao Patriota. Segundo declaração do vereador na época, um dos motivos de sua saída foram algumas divergências quanto à importância das causas LGBTs e da luta contra o aborto para o movimento.
Apostas que se mostraram erradas do movimento também acabaram acarretando em perda de notoriedade. No âmbito federal, o MBL apostou em duas candidaturas à presidência que não se firmaram. Primeiro o comediante Danilo Gentili, apoiador das ideias neoliberais, e, posteriormente, o ex-juiz e atual candidato ao Senado, Sergio Moro.
Atualmente, o movimento tenta sobreviver na política com novos nomes, mas mantendo o mesmo discurso, e as formas de propagar as ideias.
“Por outro lado, em termos mais eleitorais, a estratégia segue a mesma. Muita ênfase nas pautas culturais, no choque com a esquerda, um pouco do sensacionalismo. O que se vê é que essa estratégia, que funcionou para eles antes, ainda segue sendo praticada”, afirma Caio Marcondes especialista em comportamento eleitoral e direita brasileira, e doutorando em Ciência Política pela USP.
Marcondes, no entanto, ressalta que, mesmo após as falas machistas de Arthur do Val, o movimento ainda tem uma base fiel que o apoia:
“É importante notar que o Arthur do Val não é candidato porque teve o mandato cassado. Mas se ele se lançasse ao legislativo, a chance de ele se eleger era muito alta. Apesar do escândalo que abalou a imagem dele, ele ainda tinha uma imagem muito positiva com uma margem grande de eleitores. Mesmo caso do Gabriel Monteiro do Rio, que consegue mobilizar uma base muito grande de seguidores”.
Apostas para a Alesp
Uma das candidaturas do MBL nas eleições à Assembleia Legislativa de São Paulo é Amanda Vettorazzo. Segundo Caio Marcondes, a candidata à Assembleia Legislativa de São Paulo tem grandes chances de se eleger.
“Já vi vídeos da Amanda Vettorazzo tentando polemizar com bolsonaristas, se colocando uma alternativa à direita. O potencial está aí”, afirma Marcondes.
Em contrapartida, Rosemary Segurado não crê o MBL terá tanto sucesso na competição com o Bolsonarismo:
“Eles lançaram três candidatos à Alesp, e eles estão planejando uma campanha com o olho no retrovisor em 2018. Se eles conseguirem eleger um, já está ótimo”.
Segurado afirma ainda que o eleitorado, diferentemente das eleições de 2018, está mais focado em candidatos com experiência na política e presentes no campo progressista, o que pode ser mais um empecilho ao movimento.
A especialista completa ainda afirmando que o MBL perdeu muito espaço após o rompimento com o bolsonarismo, o que tirou muito do seu poder de mobilização.
“As últimas manifestações convocadas pelo MBL foram desprezíveis do ponto de vista numérico, de repercussão. Eles estão voltando pro lugar que eles estariam se não fosse a Lava Jato, o impeachment da Dilma e a onda bolsonarista. Então eles começam a perder um pouco desse espaço”, ressaltou.
Candidatos do movimento, na ambição de conquistar uma das 94 cadeiras da Alesp, costumam defender, além das pautas de costumes, o controle do orçamento, uma diminuição do Estado e uma menor intervenção do governo na economia.
“Tenho o Estado tatuado no meu braço. E eu defendo muito que o orçamento fique aqui em São Paulo, e não vá todo para Brasília. Essa é minha principal luta”, afirmou Amanda Vettorazzo em entrevista ao ContraPonto Digital.
Além disso, a candidata tentou se descolar da imagem de Arthur do Val, apesar de minimizar a fala do colega:
“Eu acredito que [o caso do Arthur] não vá me prejudicar. Isso já passou, ele já pediu desculpa e pagou caro, até demais, pelo que fez. Já pagou pelo áudio que, claro, não é bacana. Eu até repudiei na época, mas não repudio o trabalho que ele faz e que eu tentarei seguir na Alesp, que é a luta contra privilégios”.
Outra aposta do MBL para este ano é Guto Zacarias (União Brasil). Como um homem negro conservador que se opõe às cotas, o candiato busca emular a dinâmica de Fernando Holiday (Novo), mostrando-se um forte opositor da esquerda.
“O cara tá com a camiseta do Lula, bora discutir? Fica com camiseta de bandido aí mano”, questiona o candidato para a Assembleia Legislativa de São Paulo em um de seus vídeos para sua página no TikTok.
O ContraPonto Digital tentou contato com Guto Zacarias, que não respondeu aos pedidos de entrevista.
Apostas para a Câmara de Deputados
Para a Câmara de deputados, o MBL lançou Cristiano Beraldo (União Brasil), ex-secretário do turismo da cidade do Rio de Janeiro, posto que deixou para assumir a coordenação da campanha de Arthur do Val ao Governo de São Paulo. Porém, após o escândalo dos áudios e a retirada da candidatura de do Val, Beraldo decidiu concorrer à deputado.
Em sua campanha, Kim busca se mostrar como alternativa à direita. O forte uso das redes sociais e de termos utilizados pela juventude é uma grande aposta do candidato para tentar conquistar o público jovem.
O ContraPonto Digital entrou em contato com Cristiano Beraldo, que decidiu não responder aos questionamentos feitos. Kim Kataguiri também não quis dar entrevista.