Por Rodrigo Marques
Ao longo de décadas, o rock, um dos gêneros musicais mais emblemáticos da cultura pop contemporânea, tem testemunhado uma evolução em termos de representatividade das mulheres. Inicialmente relegadas aos bastidores, com o estrelato dado sumariamente aos homens, as mulheres têm desempenhado papéis cada vez mais proeminentes na cena do rock, desafiando estereótipos e redefinindo os limites do gênero musical ao longo de vários anos. De vocalistas a guitarristas, baixistas a bateristas, compositoras a produtoras, as mulheres têm desempenhado papéis essenciais na música. Artistas como Joan Jett, Rita Lee, Janis Joplin, Cassia Eller, Suzi Quatro e Patti Smith, entre muitas outras, emergiram como ícones, demonstrando talento e muita simpatia no palco.
É nesse cenário que se encontra Michelle Alves, vocalista e líder da banda de indie rock NBM (Nunca Beijei de Mochila). Recém formada em letras na USP, formou a banda ainda no primeiro ano de faculdade como um trio. Contou que desde pequena gostava bastante de música, mas só depois que seu pai a levou em um show do Iron Maiden em 2009 que se encantou com o rock. Começou ouvindo principalmente rock pesado, mas sentia que não se encaixava com estilo. Posteriormente, foi se encontrando melhor através do alternativo e o indie, pois eram estilos que conversavam melhor com sua personalidade. A partir daí, aprendeu a tocar violão/guitarra e começou a conhecer as grandes nomes do gênero. Sua artista favorita é a Stevie Nicks, do Fleetwood Mac.
Sua ideia inicial era uma banda normal, ou seja, não necessariamente ser só de garotas, mas encontrou dificuldade para achar outros membros. A maioria das pessoas da sua sala ouviam MPB ou sertanejo, só quando conseguiu furar a bolha social do seu curso que encontrou o que procurava, e curiosamente também eram garotas. Daniela é a baterista e fazia artes plásticas e a Marina, de psicologia, no baixo. No início, não ligava muito para os gênero dos integrantes, mas depois achou uma boa ideia. Uma banda de rock só de garotas universitárias, soou incrível. Começaram a ensaiar juntas depois das aulas e aos poucos fazer alguns shows pelo imenso campus da USP. Notou algo curioso em relação ao público, enquanto as outras meninas achavam um máximo, os rapazes ficavam divididos entre os que apoiavam e curtiam e aqueles que só iam por curiosidade ou tirar sarro.
Foi a primeira vez que percebeu que não seria tão fácil ter uma banda feminina. Por mais que fosse boa, precisava convencer também. Michelle passou a escrever músicas mais potentes poeticamente e melhorar as melodias. Mesmo chamando bastante atenção pelo campus, tocando até mesmo na rádio USP, ainda tinham que lidar com os narizes torcidos e surgimento de “haters” nas redes sociais. No fim, a perseverança começou a dar frutos. Conseguiram produzir uma demo com ajuda de colegas, chamando a atenção de produtores alternativos e independentes, organizaram shows em lugares com públicos maiores e estão prestes a lançar seu primeiro EP em estúdio. Para ela, foi gratificante depois dos problemas e as críticas enfrentadas ser recompensada por aquilo que lutou para conseguir, esperando ser a primeira de muitas. No momento, o trio compõe músicas para serem usadas em um futuro albúm inteiro.
Por outro lado, existem bandas de mulheres que usam as ideias e o engajamento feminista como forma de lutar, quase literalmente, por maior representatividade do rock entre as mulheres. O apoio do som punk, o principal gênero musical relacionado aos movimentos sociais institucionalizados, com os ideais “básicos” do feminismo: letras que falam de liberdade sexual, violência, relacionamentos abusivos e aborto, acabou criando um amálgama perfeito entre música e letras. Mesmo com as primeiras bandas surgindo ainda no auge do movimento (anos 1970 e 80), foi a partir dos anos 1990 que o feminismo realmente se popularizou dentro do punk, com o nascimento de um subgênero chamado Riot Grrrl (algo como “garota revoltada”, em inglês) – que culminaria na terceira onda feminista. Criado em Washington, nos Estados Unidos, o movimento apresentou pela primeira vez bandas exclusivamente femininas, como Bikini Kill, Tribe 8, Bratmobile e Hole, e tinha como objetivo criar espaços seguros para as mulheres e aumentar sua visibilidade dentro do punk, criando selos de música, fanzines e festivais exclusivos para elas.
Através desse mergulho em uma parte do submundo punk, está Edwiges Carvalho, guitarrista e vocalista do Menstruação Anarquika, também conhecida como Diva. Sua banda já tem mais de trinta anos de estrada e lançamentos de albúns, coletâneas e demos. Edwiges entrou em contato com o movimento punk ainda no final dos anos 80, quando via vários Punks em uma Praça no Teatro Clara Nunes em Diadema e sempre tinha admiração vendo eles, suas roupas, o visual. Começou a se aproximar e entender as ideias e a aprender do que se tratava o porquê de tudo aquilo, das bandas, dos zines e tals, foi aprendendo e se identificando com aquilo cada vez mais ao ponto de não conseguir ser ou viver sem isto.
Formou a banda em 1992, num momento em que o punk no Brasil estava em baixa, devido às brigas e o desinteresse público. O início foi bastante complicado devido aos altos cultos para manter coisas como equipamentos e local de ensaio, mas desistir estava fora de cogitação. Tentou até ter membros masculinos no grupo, mas abortou a ideia pois todas vez que tocavam, resultava em briga. O primeiro registro veio na coletânea "SP Punk Vol.1" , num convite feito pelo vocalista do Invasores de Cérebro, Ariel Uliana. No entanto, o primeiro albúm só viria a sair em 2009, chamado "Bazar dos Milagres", com quinze músicas autorais. As letras abordam tematicas como anarquismo, liberdade, igualdade e algumas ideias do feminismo moderno, como estupro, o patriarcado, a sexualidade, e o empoderamento feminino. No ano passado, em maio, o grupo lançou seu segundo disco, Maria Bonita. Atualmente o Menstruação Anarquika é uma das poucas bandas de mulheres punk feministas ainda em atividade nos palcos.
Por Rodrigo Vaz
Beatriz Haddad Maia é uma tenista paulistana com mais de 14 anos de carreira profissional e que passa quase todos os 365 dias do ano viajando o mundo. Enquanto isso, diversos fãs seus do Brasil se reúnem no aplicativo de mensagens WhatsApp para acompanhar sua carreira e discutir sobre seus jogos, tendo ocasionais encontros presenciais quando Bia vem disputar algum torneio no Brasil, o que já tem muitos anos que é um acontecimento raro, ou eventualmente em um ou outro jogo dela fora do Brasil. O “Beatriz Haddad Maia Fans 2.0” e o “BIA HADDAD BR” são dois desses grupos, mas o que explica que pessoas de origens e realidades tão diferentes se unam por conta de uma pessoa especifica?
A mineira Lorena Lehmann de 27 anos é engenheira civil e integra um desses grupos. Diz que ela se identifica muito com os valores que a Bia transmite e que busca sempre ser consciente com o que acontece no mundo, aproveitando a simplicidade por ter essa identificação com a tenista. Para Lorena, o tênis a ajudou a superar um momento ruim de sua vida e que entrar em grupo dedicado à uma atleta que ela admira e ao esporte que a ajudou no seu pior momento. Foi como respirar ar puro depois de passar muito tempo embaixo d’água. Das inúmeras coisas que ela admira na Bia ela diz que é a resiliência. Praticante amadora de tênis, Lorena conseguiu seguir firme mesmo após as derrotas, lesões e tudo que já enfrentou. Acha incrível poder ver todas as barreiras que a Bia já quebrou pelo esporte e tudo que já conquistou, sempre com muito amor, foco, luta, garra e resiliência.
A belo-horizontina e servidora Pública estadual Isabela Aguiar de 37 anos também integra esses grupos. Isabela diz que quando começou a acompanhar a Bia jogando sentia uma emoção difícil de descrever no começo. Ela não sabia se era a garra ou o "tudo" que ela tinha deixado em quadra. Isabela conta que isso chamou muito sua atenção porque essas características são as que ela gostava das tenistas que acompanhava desde pequena, mas nunca uma brasileira, pois as brasileiras raramente apareciam na televisão. Foi conhecendo a Beatriz Haddad em pessoa que a admiradora virou fã. Para Isabela, os valores que ela carrega são os mesmos que compartilha como a proximidade com a família, o carinho pelos avós, o cuidado, o respeito e a responsabilidade que tem diante do posto de "referência no esporte" que ela conquistou. Isabela acredita que estar em um grupo como esses a possibilita conversar e conectar com pessoas com um assunto em comum, ao mesmo tempo com pessoas de diferentes contextos e vivências, Isabela acredita que isso traz novos olhares sobre esse assunto. Ainda que os jogadores, o jogo, os campeonatos sejam os mesmos, sempre existe algo novo e camadas diferentes a serem descobertas. E também novas conexões reais. Isabela considera que Isso é legal, especialmente nesse ano e no ano passado, quando pode conhecer as pessoas do grupo ao vivo em Brasília e em Madrid, durante os jogos da Bia.

A curitibana Patrícia Zeni, jornalista que também integra esses grupos, segue a carreira da Bia por acreditar que ela representa as mulheres brasileiras em um esporte individual difícil, que é o tênis. Bia conseguiu estar entre as melhores do mundo, e superou várias dificuldades para chegar onde está hoje. Patricia conta que entrou nesses grupos por curiosidade e pela vontade de saber mais sobre as outras pessoas que também acompanham a Bia e acredita que estar nesses grupos é uma experiência boa, mesmo quando não participa ativamente e que gosta de ler o que os outros estão comentando e saber a opinião de cada um.
Outra fã, a fotógrafa Rebecca Martins de Campina Grande na Paraíba que também faz parte desses grupos diz gostar muito de comentar durante os jogos da Bia e que por não ter amigos próximos que acompanhem esporte, os grupos a proporcionam isso. Para Rebecca, estar em grupos proporciona fazer muitas amizades e também ter informações de forma prática e fácil sobre a Bia. É também o caso de Polyana, advogada recifense de 34 anos, outra integrante desses grupos que acompanha a Bia porque considera que ela é uma mulher que, além de ser uma atleta excepcional, ainda usa sua voz para assuntos importantes para as mulheres sul-americanas. Polyana entrou no grupo pois não conhecia pessoas que discutiam sobre a Bia ou o tênis e acredita que grupos como esses ajudam a ficar mais próxima dos assuntos que ela mais gosta. Da mesma cidade de Polyana, Gilka Dueire, é outra integrante desses grupos. Estudante de Engenharia Ambiental, Gilka diz que acompanha a Bia por conta de seu carisma e resiliência e também por ser brasileira, canhota, humilde e com bastante potencial. Ela conta que entrou nos grupos para entender mais as perspectivas dos jogos da Bia, como o rendimento e acompanhar o calendário dos seus jogos. Para ela o grupo não só a fez gostar mais de Bia, como também conhecer pessoas que compartilhando do mesmo sentimento. É um grupo com bastante troca.
A psicóloga Flavia Mendonça acredita que existam dois pontos, o da a identificação com o ídolo e do desejo do pertencimento, para ela quando alguém segue seu ídolo, se sinta próximo, identificado, quase como se pudesse ser, em parte, ele. Ela também afirma que o ídolo pode refletir nossos primeiros modelos, nossos pais, como se pudéssemos manter a imagem ideal que um dia tivemos deles e que a realidade ou s maturidade vai desconstruindo, o ídolo se manteria neste lugar idealizado. Mendonça também acredita que a simples sensação de identificação ao ter um mesmo objeto de “desejo” pode dar a sensação de pertencimento. Para ela, pode haver também uma sensação de proximidade ou familiaridade com o ídolo como se todos fizessem parte de um mesmo sistema (feito uma grande família). O advento da Internet tornou mais frequente o surgimentos desses grupos de fãs, pois segundo diz há maior facilidade para montar grupos e encontrar as pessoas que tem a mesma afinidade por conta da chance de comunicação mais fácil e oculta. Entretanto ressalta que também existe um lado não muito positivo: a adoração de um ídolo muitas vezes gera a tendência a olhar somente para a positividade daquela pessoa e isso é irreal e insustentável como um todo, explicando que quanto maior a adoração, maior a frustração quando se deparar com a humanidade do ídolo e as sombras dele, e que, sobre os grupos, o ponto negativo é da possibilidade das pessoas projetarem no ídolo uma vida ideal, que deve ser perseguida. Ela acredita que o excesso da idolatria pode gerar um distanciamento da realidade e que o excesso de energia empregada nestes grupos também pode gerar uma limitação de temas e um empobrecimento na comunicação e socialização do indivíduo.
Por Rodrigo Silva
A origem das corridas de arrancada remonta o pós Segunda Guerra, quando jovens americanos apaixonados por velocidade, mas sem muito dinheiro, passaram a construir e customizar seus carros a partir de sucatas de roadsters (veículos conversíveis de dois lugares) encontrados em ferros-velhos, transformando-os em supermáquinas equipadas com motores V8 de grande cilindrada. Os duelos para saber que era os mais rápido aconteciam no leito seco do Lago Muroc, no deserto do Mojave, na Califórnia.
Por aqui no Brasil, as arrancadas chegaram em São Paulo e Curitiba, começando a tomar força no fim dos anos 80, quando as provas eram oficializadas e realizadas na reta principal do Autódromo de Interlagos. Na época, era uma solução para acabar ou pelo menos diminuir a quantidade de rachas que aconteciam em diversos pontos das capitais paulista e paranaense, como a Marginal Pinheiros e a Avenida Iguaçu.
Atualmente, as corridas são administradas pelos próprios pilotos juntos com os organizadores de eventos. Os denominados mais rápidos que cada região do país se enfrentam numa final conhecida como Armageddon, que será realizada esse ano em São Paulo, justamente em Interlagos.
Para entender um pouco mais sobre esse universo, é preciso conhecer um pouco da história dos responsáveis por isto, os pilotos. Entrando em contato com dois deles, pode-se se ter uma noção melhor desse mundo.
O primeiro contato foi com Ricardo Galli, conhecido como o Rei. Membro da equipe de preparação Peninha Street, venceu sua sétima coroa no início de Maio. Ao falar um pouco de sua história, contou que como vários outros garotos dos anos 80 que gostavam de carros, cresceu admirando os grandes nomes do automobilismo brasileiro da época como Nelson Piquet e Ayrton Senna. Natural de Osasco, Galli também explicou como foi difícil viver na cidade devido aos altos indíces de criminalidade da região.
Esses eram basicamente seus dias, ia para escola e ficava desenhando carrinhos de corrida na mesa até a professora chamar atenção, voltava lendo uma revista Quatro Rodas e depois ficava ajudando o avô com seu carro.
Com isso, aprendeu ainda jovem a mexer em motores, inicialmente por razões mecânicas e depois para extrair potência. Quando ele tinha uns 17 anos por aí, ia junto com um amigo seu até a Hildebrando de Lima, ele tinha um Golzinho quadrado endriabrado. E às vezes deixava ele dirigir aquele treco. Foi basicamente sua primeira experiência dirigindo um veículo, foi aí também que começou seu gosto pelo popular carro da Volkswagen.
Quando conseguiu financiar seu primeiro carro, a primeira coisa a fazer foi justamente ver até quanto ele chegaria com ele. depois começou Mexer nos componentes para ficar mais potente. Nessa época começou a participar de rachas, que se tornaram "um vício" na sua vida por bastante tempo. Começou como um escape, mas a sensação de adrenalina e perigo total era como uma droga, tipo heroína e crack, ele corria toda noite depois da faculdade, era uma parte de eu financiar meus estudos com o dinheiro das vitórias, o resto ia pro carro.
A rotina deu a Ricardo uma certa reputação, chegando ao ponto de desafios valendo altas apostas de dinheiro, mas também alguns problemas com a polícia. Nessa época conheceu os mecânicos da Peninha Street, que somente atuavam como oficina de preparação. A junção do útil com o agradável.
Através da Peninha, que se tornou sua equipe, foi apresentado as arrancadas profissionais e viu uma oportunidade de sentir adrenalina de correr sem tantos riscos, até porque descobriu que sua esposa estava grávida de seu primeiro filho. Nessa situação, acabou se vendo obrigado a largar e se "desintoxicar do vício dos rachas para ter uma família.
Mas se tornar "profissional em acelerar" e vencer se tornou rentável. Aos poucos, foi escalando na lista dos mais velozes de São Paulo, o que resultou na participação de eventos de mais prestígio como o Race Valley Outlaws e o Armageddon (maior evento de arrancada do país). Inclusive afirmou estar ansioso para sua partipação esse ano. Nos outros anos, a equipe não conseguia ir longe, mas agora estão confiantes de que podem chegar na final e vencer".

O outro contato foi João Couto, o "Joãozinho". Diferente de Ricardo, ele é um novato em arrancadas, começou a correr ano passado, e ainda busca se classificar na Lista de Curitiba. O ranking de classificação, chamado de Shark Tank, consiste num grupo de quatro estreantes que competem com os pilotos que ocupam ranking da Lista e duelam no estilo mata-mata. Os vencedores que derrotarem os pilotos que estiverem na Lista, terão seus nomes preenchidos automaticamente as posições da lista correspondente.
Couto começou seu contato com carros através do kart, onde competiu por anos em divisões amadoras e juvenis. Mas depois de uma ida aos Estados Unidos, tudo mudou. Seus pais o levaram a uma arrancada oficial da NHRA (associação norte-americana de arrancada) e se encantou instantaneamente com o que viu. Rapidamente trocou a precisão das curvas pela agilidade das retas longas.
Começou junto com o Tio, que é mecânico, a aprender sobre motores, mas como era novo ainda não podia dirigir, apenas dar umas aceleradas. Com isso. uma situação engraçada aconteceu, durante um teste que fazia com um uno no dinamômetro, o tio deu permissão pra ele acelerar o carro, e na busca para ver qual era a potência final dele, o motor estourou. Seu tio tinha acabado de colocar pistões novinhos e eles foram pro espaço basicamente, ele queria matá-lo ao mesmo tempo que não parava de rir.
Depois de se tornar maior de idade, começou a treinar no autódromo de Curitiba aos fins de semana, aos poucos foi ficando cada vez melhor. O seu ponto fraco era a largada, derrapava um pouco e perdia tempo, era difícil manter o carro em linha reta depois do tranco do motor. Depois de pegar mais prática, rapidamente começou participar de eventos locais. A primeira corrida foi na pista de Cascavel. Ganhou a primeiro corrida como profissional. De lá pra cá foi só subindo.

No início do ano, se tornou piloto da equipe de Helder Gandolfo, um dos maiores nomes de arrancadas no Paraná, mirando uma boa participação no Armageddon desse ano. Como é um dos mais novos, acredita que tem muito ainda a evoluir ficar ainda melhor e quem sabe um dia participar de um evento da NHRA.
As arrancadas tem ganhado cada vez mais popularidade e prestígio no Brasil, e ouvir um pouco da história dos pilotos que participam delas, mostra um pouco de seus mundos. São pessoas que vivem um pico de adrenalina durante 402 metros (cerca de um quarto de milha) em menos de 10 segundos.
Por Rodrigo Vaz
As conversas e o barulho de passos são o cenário sonoro presente nos entornos das entradas a saídas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP. Pelo menos em boa parte dos doze meses do ano esses vêm sendo os sons nos últimos mais de 70 anos. A diferença é que o tema sobre a segurança nunca perdeu espaço entre a comunidade acadêmica e atualmente está cada vez mais presente.
A universidade é conhecida no cenário brasileiro por ser uma instituição aberta e de livre circulação, ou seja, não existe e nunca existiu alguma barreira física em quaisquer das portas da universidade que pudesse selecionar quem teria permissão para acessar o campus. Entretanto, acontecimentos recentes como o ocorrido em março deste ano, quando seis computadores foram furtados das instalações da empresa júnior de consultoria ligada a Faculdade de Economia e Administração- FEA, reacenderam o debate sobre a segurança interna e externa, inclusive com a mantenedora da universidade sugerindo a instalação de catracas. No entanto, posições como essa não são aceitas pela comunidade acadêmica de forma unânime.

Melissa Joanini que é atual presidente do Centro Acadêmico Benevides Paixão, ligado aos estudantes do curso de jornalismo da PUC-SP, acredita que ações como essa tomada pela FUNDASP, a mantenedora da PUC, não respeitam a história da universidade e seriam uma postura autoritária e antidemocrática sobretudo pelo fato de que vários acontecimentos que ocorreram ao longo dos anos na PUC se devem justamente por ser uma universidade aberta. Melissa enfatiza que pode não aparentar, mas a medida da instalação das catracas faz total diferença já que a PUC é palco de grandes eventos que ainda acontecem e acrescenta que uma ação como a proposta tiraria o caráter da PUC como uma universidade comunitária.
O movimento estudantil da PUC participa ativamente da discussão desse assunto, Joanini ressalta a criação de uma enquete para entender a posição dos alunos sobre o tema e, no caso das catracas, saber quais eram os argumentos de estudantes contrários e a favor. Ela também destaca que já foram realizadas assembleias para discussão sobre essa questão e que tiveram grande adesão dos alunos, além das conversas que ela mantém com funcionário e professores da universidade.
Outras propostas alternativas surgem no cenário, como o aumento da vigilância por meio da instalação de câmeras de segurança em pontos estratégicos e a contratação de mais funcionários de segurança. Joanini também menciona a possibilidade de implementar um serviço de transporte para os alunos até as estações de metrô mais próximas, visando aumentar a segurança no deslocamento dos estudantes, como faculdades como por exemplo a ESPM já faz. Ela ressalta ainda que o Benê realizou uma festa nas dependências da universidade para mostrar a importância que o local tem de ser um espaço de livre circulação e que caso fosse diferente, um evento como esse jamais seria possível.
Esse debate vai além da questão puramente técnica de segurança. Ele toca em temas sensíveis como desigualdade social e a relação da PUC-SP com o bairro de Perdizes. Muitos acreditam que a instalação de catracas não resolverá o cerne do problema, pois a segurança é uma questão multifacetada que envolve não apenas barreiras físicas, mas também políticas sociais mais amplas. Joanini diz que deseja que o próximo reitor mantenha a característica da PUC de ser uma universidade aberta para a comunidade e mais do que mantê-la assim, que se busque alternativas para mantermos a diversidade de alunos como os pertencentes das comunidades LGBTQIA+, de alunos pretos, pardos, indígenas, e os oriundos de escolas públicas..
O tema da segurança também é presente no debate dos candidatos a reitoria da universidade
Vidal Serrano Nunes Jr., professor e ex-aluno da PUC, que atualmente dirige a Faculdade de Direito da universidade acredita que a discussão sobre segurança no campus precisa de uma abordagem mais sensível e bem orientada. Ele propõe um diálogo amplo com a comunidade universitária na busca por soluções que vão além da simples instalação de catracas. Segundo ele, faltou sensibilidade da Reitoria atual sobre esse assunto. Também sustenta que a Reitoria deveria abrir um plano com especialistas e discutir com a comunidade e, segundo ele, quem garantiria a segurança no campus seriam pessoas com formação em artes marciais, sendo duas em cada entrada da universidade. Ele acredita que é necessário contratar profissionais para a segurança interna e externa da universidade e ressalta que o problema de segurança pública aumentou nos últimos anos e considera incorreto não colocar só catraca e talvez nem mesmo uma catraca. Para ele, é preciso fazer uma avaliação maior para criar um mecanismo de segurança e sugere, assim como o movimento estudantil da PUC, que no turno da noite exista um ônibus que leve os alunos no metrô até a universidade.
Márcio Alves da Fonseca, ex-aluno e professor da PUC, ex-diretor da FAFICLA (Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes da PUC-SP) e atual pró-reitor de Pós Graduação da universidade, também é candidato ao cargo de reitor. Ele acredita que a proposta de implantação de catracas na PUC-SP deve ser discutida com maior profundidade por parte da comunidade acadêmica e destaca a complexidade da questão da segurança na universidade e em seu entorno, ressaltando a importância de medidas preventivas que vão desde melhorias na iluminação até a capacitação de agentes de segurança, enfatizando que a segurança deve ser garantida através de uma abordagem holística e multifacetada, que vá além da simples instalação de barreiras físicas. Para ele, seria necessário realizar um mapeamento das principais atividades da universidade que preveem a participação de público externo, em quais momentos, em quais espaços da universidade se prevê a entrada desse público. Uma circulação de seguranças externamente à universidade, seguranças móveis circundando a universidade, sobretudo em horários de saídas de turnos, como o turno noturno, a criação de canais de comunicação eficazes como linhas diretas de segurança e aplicativos móveis. Também defende não existe até o momento uma comprovação de que com medidas como a instalação das catracas o problema estaria resolvido. Fonseca pensa que as soluções também não são únicas e simples.
Em meio a essas discussões fica evidente que a comunidade acadêmica da PUC/SP está engajada em encontrar soluções eficazes para garantir a segurança de todos os membros da universidade, preservando ao mesmo tempo os valores de liberdade e inclusão que sempre caracterizaram a instituição e por essa discussão ter se tornado pauta de discussão nas eleições da reitoria universidade, isso só fica mais destacado.
Por Amanda Furniel
"Body Positive" é o termo que dá nome a um movimento social criado com a intenção de incentivar a aceitação e a celebração de corpos que não se encaixam nos padrões de beleza impostos para a sociedade. Surgindo por volta de 1967, por iniciativa das ativistas Connie Sobczak e Elizabeth Scott, o movimento, também conhecido por Corpo Livre, ganha força por conta da indignação de quem não se encaixa nesses padrões e não se ocupando nenhum lugar na sociedade. Um modelo inalcançável ditado pela mídia e imposto pela sociedade vem sendo responsável por danos na autoestima e saúde mental de milhares de pessoas, em especial das mulheres. Esse padrão que prega uma “perfeição” estética é reproduzido sem a menor prudência; para onde se olha há uma modelo com a barriga chapada, uma cantora na capa de uma revista contando seus “segredos” para evitar a celulite, a protagonista de um filme magra com seios empinados e bunda firme… imagens e mais imagens nos lembrando o quão distante estamos de alcançar tal beleza, mas que devemos continuar perseguindo-os, custe o que custar!
E em números. a indústria da beleza lucra com as inseguranças geradas pela propagação do corpo ideal e beleza genuína. Procedimentos estéticos, dietas malucas, cirurgias, medicamentos, tudo isso são promessas inalcançáveis. A pressão de se encaixar dentro da minúscula “caixa da beleza” desencadeia sentimentos como insuficiência, baixa estima, despertencimento, prostração; as pessoas seguem tentando ser como a foto cheia de photoshop que circula no Instagram. É um meio capitalista que vende um corpo irreal como essencial, e lucra com isso. E isso inclui os benefícios da ciência médica.
Atualmente, o que está em alta é o remédio Ozempic, um medicamento originalmente indicado para o tratamento do diabetes tipo 2 e que se tornou alvo da busca por um emagrecimento rápido e fácil. Apesar de sua eficácia comprovada no controle da glicemia, seu uso para fins estéticos não é autorizado pela Anvisa e apresenta riscos à saúde. Especialistas alertam para os perigos do uso indiscriminado do Ozempic, que pode causar efeitos colaterais graves como náuseas, vômitos, diarreia, desidratação e até mesmo pancreatite. Além disso, ainda não há estudos conclusivos sobre os efeitos a longo prazo do medicamento para a perda de peso. Mas vale até mesmo as palavras de Amanda Lovelace, autora do livro "Faça a sua coroa de gelo brilhar", quando afirma que a ideia é que seja um padrão inatingível, pois isso garante que a única opção é continuar investindo tempo, dinheiro e energia.
Para a atriz, dubladora e modelo Dani Mota, a maior importância do movimento está na visibilidade que ele dá para as pessoas fora do padrão. O Body Positive criou um espaço para que essas pessoas possam falar e serem ouvidas, levantando causas que antes eram esquecidas. Uma delas é a questão da representatividade gorda; a mídia reforça um padrão quando as princesas que assistimos quando criança são sempre as mais belas e mais magras e o mocinho sempre escolhe a menina magra enquanto a amiga gorda serve para alívio cômico. Ela diz que nunca vai interpretar uma princesa, mas, no máximo, uma vilã. Diz ter feito um teste para o musical Grease para uma personagem comilona, mais gordinha e não ganhou o papel que ficou para uma atriz magra, mas tiveram que colocar enchimento na roupa dela. Até hoje se pergunta se não pode ter uma atriz gorda para interpretar o papel.

O movimento Corpo Livre é um constante lembrete de que nenhum corpo é igual ao outro e que todos os corpos são dignos de amor e respeito. A jornalista e ativista Izabel Gimenez afirma que é possível um outro caminho, que é possível gostar de si mesma. O movimento se transformou num lugar de esperança de que é possível ser você mesma ainda que num mundo digital.
Na era dos influencers e instagramers, a hashtag “corpo livre'' já possui milhares de seguidores e diversos influenciadores usam seus perfis para espalhar amor-próprio e popularizar o movimento. Cada vez mais corpos reais estão aparecendo nas redes e mostrando como a beleza é diversa e plural, a criação de conteúdo voltado para valorização desses corpos está influenciando mais e mais mulheres a se amarem e se aceitarem como são. É o caso da influenciadora, modelo e atriz, Júlia Antunes, que conta estar sendo ela mesma e ajudando as pessoas a enxergarem quem elas são de verdade, que não precisam se comparar com outras para verem belezas nelas mesmas. Mas nem tudo são flores.
Mas o movimento não está livre de críticas. Muitas pessoas argumentam que o movimento pode promover a obesidade e desconsiderar os riscos à saúde associados ao excesso de peso. Também, há o questionamento se a mensagem de auto-aceitação incondicional do Body Positive pode ser prejudicial para pessoas com transtornos alimentares, que já lutam com a imagem corporal. É importante lembrar que o movimento não defende um estilo de vida não saudável, mas sim a aceitação da diversidade corporal e a promoção de hábitos saudáveis de maneira individualizada. O Corpo Livre tem ajudado milhares de mulheres, de pessoas, a se amarem e se aceitarem como são. Em uma sociedade que lucra com suas dúvidas e inseguranças sobre si mesma, esse movimento é uma das maiores rebeliões.
Se amar é um ato de protesto. E a cada dia que passa mais pessoas se dão conta da grandiosidade que são, mais mulheres se olham no espelho e sorriem para a visão da beleza real que elas exalam. Porque se amar também é feminismo, Body Positive também é reivindicar contra a pressão que é posta sobre a sociedade.
