A Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, é um exemplo vivo de como espaços públicos podem ser apropriados por diferentes grupos sociais ao longo do tempo. Kevin, 24 anos, praticante de BMX, representa uma geração que ressignificou o uso da praça: se antes esses espaços eram frequentados na infância para brincar em playgrounds, hoje funcionam como pontos de encontro organizados em torno de práticas esportivas e culturais urbanas.
por
João Moura
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26/06/2026

Por João Moura e Natalia Matvyenko

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Documentário acompanha de perto o cotidiano das Cozinhas Solidárias do MTST — os fogões que não apagam, as mãos que cozinham, as histórias que se sentam à mesa. Mais do que registrar números e conquistas, ele busca mostrar o que está por trás de cada refeição servida: a articulação entre o campo e a cidade, a parceria com o MST que faz o arroz e o feijão dos assentamentos chegarem até a periferia urbana, e a rede de voluntárias que sustenta, dia após dia, uma resposta coletiva à fome que o Estado ainda não foi capaz de resolver sozinho. É um retrato da solidariedade como prática concreta e da comida como forma de resistência.
por
Chloé Dana e Leticia Falaschi
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25/06/2026

 

Por Chloé Dana e Leticia Falaschi

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A Trupe de Teatro Sem-Teto do MTST apresentou a peça "Capitães Sem-Teto: se essa rua fosse nossa", no final de 2025. A escolha da obra base, o clássico "Capitães da Areia" de Jorge Amado, partiu da identificação direta do movimento com os temas de marginalidade e invisibilidade social. No entanto, o grupo promoveu adaptações profundas para que os integrantes do MTST fossem representados no palco: o cenário deixou o trapiche baiano para ganhar a identidade de um escadão de "quebrada". O documentário busca se aprofundar na montagem e no processo de adaptação da peça.
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Julia Naspolini e Cecilia Leite
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25/06/2026

Por Cecília Leite e Julia Naspolini

 

 

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No coração da Vila Madalena, em São Paulo, existe um supermercado que vende alimentos orgânicos pelo preço de custo, sem margem de lucro, sem intermediário. O Instituto Chão conecta mais de 550 agricultores familiares diretamente ao consumidor e se sustenta, há mais de uma década, pela contribuição voluntária de quem compra. Neste mini documentário, investigamos a engrenagem financeira e social por trás desse modelo: como ele funciona, quem ele beneficia e o que ele diz sobre outras formas possíveis de produzir, trabalhar e consumir.
por
Anna Cândida Xavier, Juliana Bertini e Maria Eduarda Cepeda
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24/06/2026

 

Por: Anna Cândida Xavier, Juliana Bertini e Maria Eduarda Cepeda.

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Nascida na garagem de uma casa em Perus, a Comunidade Cultural Quilombaque se transformou em um dos principais espaços de cultura, memória e resistência da periferia paulistana. Entre tambores, hortas, oficinas e mobilizações populares, este documentário acompanha a trajetória de pessoas que fizeram da arte uma ferramenta de transformação social. Mais do que um centro cultural, a Quilombaque é um lugar onde sonhos coletivos se tornam realidade e onde a luta pelo território, pelo meio ambiente e pela dignidade se entrelaçam com a história de uma comunidade que resiste há mais de duas décadas.
por
Wildner Felix e Luis Henrique Oliveira
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23/06/2026

Por Wildner Felix e Luis Henrique Oliveira

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Os desafios que permeiam ocupar a sombra do Estado na alimentação dos brasileiros

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Chloé Dana e Leticia Falaschi
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21/06/2026

Por Chloé Dana e Leticia Falaschi

 

As Cozinhas Solidárias do MTST nasceram não de um plano, mas de uma urgência. Era março de 2021, e o Brasil enfrentava uma crise que era, ao mesmo tempo, sanitária, econômica e social. O botijão de gás ultrapassava de R$100. O arroz virou objeto de luxo. E a pandemia deixava claro que a fome, sabia muito bem os endereços que preferia visitar.  O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST),  já distribuía cestas básicas desde o início de 2020, quando lançou a Campanha de Solidariedade como resposta ao colapso. Porém cesta básica, perceberam logo, não é o mesmo que comida.Cesta básica é uma promessa. Comida é a refeição de hoje. 

O funcionamento das cozinhas tem uma rotina bem definida. Todos os dias da semana, voluntárias em sua maioria mulheres, chegam cedo para começar o preparo. O cardápio é balanceado e feito com alimentos que vêm de longe: arroz e feijão cultivados em assentamentos do MST, em terras que a Reforma Agrária devolveu à produção. Alimentos sem agrotóxico, que no movimento chamam de "comida de verdade".

A parceria entre o MTST urbano e o MST rural não é apenas logística, é estrutural. Enquanto as cidades acumulam fome nas suas bordas, o campo produz alimento em excesso que o mercado não absorve, as Cozinhas Solidárias criam uma ponte entre esses dois mundos. Em muitas unidades, hortas urbanas brotam nos terrenos ao redor, cultivadas coletivamente, fornecendo verduras e temperos frescos que chegam direto da terra à panela. Os números acumulados são expressivos: mais de 5,8 milhões de refeições servidas, mais de 3,8 milhões de quilos de alimentos distribuídos, 55 cozinhas espalhadas por 14 estados e o Distrito Federal, atendendo regularmente mais de 12 mil pessoas. Mas por trás de cada número há alguém concreto, uma criança que não foi para a escola com fome, um idoso que não precisou escolher entre o remédio e o almoço, alguém em situação de rua que encontrou uma fonte regular de alimentação nutritiva.

As Cozinhas Solidárias sempre foram mais do que simples refeitórios. Desde o início, o projeto percebeu que a fome não está isolada, ela caminha lado a lado com a falta de educação, com a ausência de assistência médica, e com a vulnerabilidade de quem não sabe como reivindicar seus direitos. O início foi a panela, mas não o encerramento. Em torno dela, surgiram atividades, rodas de discussão, cursos de alfabetização, além de suporte psicológico e jurídico. A cozinha evoluiu para algo diferente: um ponto de apoio, um local onde as pessoas podiam se apresentar com múltiplas carências e sair com diversas soluções.

 

 

 

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Cozinha do MTST faz mais de mil marmitas pros afetados nas enchentes do RS
Foto: Comunicação MTST

 

Hortas comunitárias


Enquanto a Cozinha Solidária tenta remediar a urgência de quem passa fome hoje, as portas voltam-se  para a continuidade e tentam pavimentar caminhos para uma produção alimentar acessível e sustentável. As hortas comunitárias e urbanas são parte da engrenagem do MST e MTST, são cultivadas ao redor (muitas vezes, dentro) dos próprios territórios das cozinhas. Elas operam na tentativa de fugir da dinâmica de cestas, tentam consolidar autonomia. São semeadas coletivamente e, geralmente, as cozinheiras que já atuam na Cozinha Solidária, o que une produção e preparo no mesmo gesto político.

As hortas permitem a colheita de verduras, ervas e temperos frescos (que, normalmente, seriam o item mais caro e mais perecível de qualquer cozinha popular) e que, cultivados localmente, deixam de depender da variação do mercado. Mas, muito além do abastecimento, elas geram a possibilidade espaço pedagógico, onde crianças e jovens aprendem agroecologia na prática. Tudo isso engajado no espaço político, onde se discute soberania e acessibilidade alimentar como conceito vivido, não apenas teorizado. Esse sincronização reproduz, na escala urbana, o que o MST já semeia há décadas no campo: a possibilidade de se impor contra a ideia do agronegócio e do uso de agrotóxicos como único modelo viável de produção de alimentos. O encurtamento da cadeia entre quem produz e quem consome proporciona a superação de intermediações que encarecem, envenenam e descaracterizam a comida.

A aliança entre o MST rural, fornecedor de arroz e feijão cultivados sem agrotóxicos em assentamentos de Reforma Agrária, e o MTST urbano, gestor das cozinhas e das hortas que complementam esse cardápio, não é coincidência: é a prova de que campo e cidade, tradicionalmente pensados como mundos apartados, podem operar como um único sistema de produção e distribuição de comida quando a lógica que os organiza não é o lucro, mas a necessidade. 

 

 

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Horta Comunitária do Spama, Zona Norte de SP.
Foto: Comunicação MTST

A sombra do Estado


Essa multiplicidade de funções não é acidental, é sintoma. As Cozinhas Solidárias não nasceram como projeto de extensão de um movimento social, nasceram como resposta para uma omissão. O Estado brasileiro, signatário de tratados internacionais que reconhecem a alimentação como direito humano básico e tendo a segurança alimentar inscrita na própria Constituição, não conseguiu garantir esse direito de forma estável. Os números o comprovam: o Levantamento da Rede PENSSAN (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional)  com base em dados da FAO mostra que, entre 2022 e 2024, 3,4% da população brasileira enfrentou restrição severa de acesso a alimentos, enquanto 13,5% viviam em insegurança alimentar moderada ou grave.

Houve avanço importante no período recente: entre 2022 e 2023, a insegurança alimentar severa caiu de 17,2 milhões para 2,5 milhões de pessoas, uma redução de 85%, tirando 14,7 milhões de brasileiros dessa condição.  Mas o fato de que ainda restam milhões de pessoas nessa situação, mesmo em um ciclo de melhora, revela o quanto a garantia desse direito permanece intermitente, sujeita a oscilações de governo, de renda e de política pública, em vez de assentada como obrigação permanente do Estado. 
É nesse vazio que o MTST identificou sua tarefa: não substituir o Estado por convicção ideológica, mas ocupar, com solidariedade, o espaço que o Estado deixou vago. A Cozinha Solidária, vista sob esse ângulo, não é caridade, é diagnóstico. Ela existe porque, todos os dias, em algum lugar do Brasil, o direito à alimentação deixa de ser cumprido.

É nessa lógica que esse modelo, hoje sustentado por militância e voluntariado, não precisa permanecer como apenas um paliativo. As mais de 5,8 milhões de refeições servidas e os mais de 3,8 milhões de quilos de alimentos distribuídos pelas Cozinhas Solidárias não são apenas números de uma campanha emergencial, são provas de conceito. Demonstram que existe um modelo replicável de produção e distribuição de alimentos, descentralizado, baseado em economia solidária, agroecologia e organização comunitária, capaz de operar em escala significativa mesmo sem o aparato de um orçamento estatal. Esse modelo já funciona com os recursos limitados de um movimento social, o que poderia ser ampliado substancialmente se fosse reconhecido e financiado como política pública permanente, integrado a programas como o Fome Zero, o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) ou novas formas de parceria entre poder público e organizações de base.

As Cozinhas Solidárias e as hortas que as alimentam mostram, na prática, que o direito à alimentação adequada pode ser cumprido de forma descentralizada, participativa e sustentável. O que falta não é o modelo. É a decisão política de reconhecê-lo como parte da arquitetura permanente de proteção social do País.

 

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Como uma geração criada ao cheiro do Aterro Bandeirantes fundou um coletivo que hoje lidera a luta contra um incinerador no mesmo lugar
por
Luis Henrique Oliveira e Wildner Felix
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21/06/2026

Por Luis Henrique Oliveira e Wildner Felix

 

Tem gente que aprende a ler o clima pelo céu. Em Perus, bairro da zona noroeste de São Paulo, os moradores cresceram aprendendo a ler a chuva pelo nariz. Quando o tempo virava e trazia aquele cheiro horroroso, fedorento, pesado e inconfundível, até as crianças já sabiam: vinha chuva por aí! Os rejeitos de toda uma cidade chegavam antes das nuvens. Durante décadas, o aterro Bandeirantes recebeu o que São Paulo não queria ver nas ruas da capital. Quase trinta anos de lixo soterrado, apenas a poucos quilômetros de onde as pessoas dormiam, criavam seus filhos e tentavam ter uma vida. E esse odor fétido não era só uma metáfora; era uma experiência quase tátil que entrava pelas janelas, grudava nas roupas e permanece até hoje na memória de quem cresceu na vizinhança. Foi a partir deste cheiro que nasceu uma geração. E foi dessa geração que nasceu a Comunidade Cultural Quilombaque.

Clébio Ferreira, mais conhecido como Dedê, nos disse que Perus sempre foi um bairro de luta. Antes de existir o aterro, houve a Fábrica de Cimento Portland. Na década de 1970, os operários da usina iniciaram uma grande greve devido às condições de trabalho precárias que eram submetidos pela gestão do empresário J.J. Abdalla. O levante durou sete anos com o apoio dos cidadãos e deu vitória na certa para a classe trabalhadora, que tiveram seus salários remunerados pelo tempo de greve. 

A batalha pode até ter sido ganha, mas ainda estava longe da guerra. Nos anos 1980, uma torre sem filtro despejava o pó sobre as casas do distrito e, quando chovia, o cimento acumulado pesava e os telhados afundavam. A população, obviamente cansada do descaso tanto governamental quanto da usina, foi às ruas lutar pelo que foi uma das primeiras manifestações ambientais conhecidas no Brasil. A região aprendeu desde cedo que algumas coisas só mudam quando o povo se mobiliza para ir às ruas. E que essa memória precisa ser passada adiante, senão a cidade apaga.

O fechamento do aterro sanitário Bandeirantes foi uma dessas batalhas herdadas. Os moradores se mobilizaram, os atos se multiplicaram, o aterro fechou. Uma vitória construída no chão por gente que morava do lado errado da cidade e, justamente por isso, não podia se dar ao luxo de só aceitar a situação.

Em 2005, Dedê junto de alguns amigos se reuniram na garagem da mãe com o intuito de ensiná-los a tocar percussão. O que era para ser uma simples roda de música foi berço para a Quilombaque, um espaço de arte, formação, convivência e resistência, que hoje, após 21 anos de sua criação, ocupa um terreno que a própria comunidade comprou no meio da pandemia, sem um tostão furado no bolso. Tinham apenas uma campanha online, a solidariedade de artistas, apoio do SESC, do Itaú Cultural, da Secretaria da Cultura… Enfim, de muita gente que entendeu a necessidade que o lugar tinha para Perus.

No quintal do espaço, o chão é de terra. O primeiro pensamento pode ser que é por descuido, mas, na realidade, é pelo contrário: é por escolha. Numa cidade onde o primeiro instinto é cimentar tudo, pois a terra parece sujeira para quem perdeu a memória dos quintais, manter o solo exposto e deixar que as pessoas sintam o chão com seus pés descalços é um ato pequeno, cotidiano, até mesmo insistente, mas sem dúvida alguma também é político. O lugar, inclusive, funciona como uma horta comunitária de ervas medicinais, aberta para todos que necessitam.

E se engana quem pensa que a Quilombaque é apenas um espaço cultural – na verdade ele é uma linha de frente. Durante o isolamento do Covid-19, enquanto a cidade parava e se distanciava uns dos outros, o coletivo manteve as portas abertas para receber doações e distribuir cestas básicas, não só para o bairro, mas também para as aldeias indígenas e periferias de toda São Paulo. Quando alguém no território precisa de encaminhamento para o CRAS, CREAS ou qualquer serviço, é lá que batem primeiro. E, quando a especulação imobiliária bate à porta, também é lá que a resistência se organiza.

No mesmo lugar em que funcionava o antigo aterro sanitário, uma concessionária chamada Loga quer instalar um incinerador. A tecnologia, como respondem os defensores do projeto, é moderna, segura e, além de tudo, “limpa”. Já os críticos apontam que a Europa está desativando seus incineradores e não abrindo nenhum outro como forma de preservar o meio ambiente. Mas esse debate técnico, por si só, não explica tudo.

O que ajuda a entender melhor o que tá em jogo é o questionamento dos moradores, simples e cirúrgico: por que não colocam o incinerador no Morumbi ou na Vila Mariana? Por que Perus tem que ser o alvo mais uma vez? Não é necessário uma resposta dita em voz alta. Ela é óbvia e todo mundo já sabe.

A Loga, ao defender sua ideia, chegou com um projeto e uma “audiência” pública. Descobriu-se depois que foram contratados figurantes para aplaudir o empreendimento diante dos moradores. A denúncia foi ao Ministério Público. O processo segue em andamento, assim como a luta dos habitantes. A Quilombaque permanece junto nos atos, nas audiências, na articulação com a vizinhança que não quer repetir a história.

Ao redor, Perus ainda guarda a Serra da Cantareira, o Parque do Jaraguá, as aldeias guaranis que resistem à pressão de construtoras – que já tentaram erguer prédios sobre a terra indígena e foram barrados, também com a presença da Quilombaque. É o pulmão que resta de uma cidade que esqueceu de respirar. A especulação não desiste. Ela chega pelos corredores da Câmara Municipal, nos votos que liberam zonas antes protegidas e em projetos que aparecem prontos antes que o bairro seja consultado. Quando a comunidade não está de olho, os tratores chegam.

Por isso a Quilombaque não prega o olho: ela mantém na memória que a distração tem um preço, e ele sempre será cobrado de quem já tem menos. O incinerador não iria para o Morumbi, nem para a Vila Mariana ou algum bairro classe-média. As obras que ninguém quer ficam nas bordas, como explica Dedê. Ainda bem que Perus nunca se calou diante das injustiças ambientais. Alguns tambores e o cheiro de chorume ensinaram uma geração inteira.

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A trajetória do Grupo Pandora de Teatro e da Ocupação Artística Canhoba, localizada no bairro de Perus, na zona noroeste de São Paulo. A narrativa é conduzida por Thalita Duarte; atriz, produtora do grupo e gestora do espaço, que revisita a história de um prédio público abandonado e sua transformação em um importante centro cultural da região. A mensagem da peça “Banco dos Sonhos” parte da ideia de que sonhar não custa nada. A partir dessa reflexão, a produção estabelece um paralelo entre os sonhos representados no palco e a própria história da ocupação, construída por artistas e moradores que imaginaram novas possibilidades para um espaço antes abandonado.A Ocupação Artística Canhoba tornou-se um espaço de encontro, formação e acesso à cultura local, demonstrando como a arte pode transformar territórios, fortalecer comunidades e criar condições para que sonhos individuais e coletivos encontrem lugar para existir.
por
Júlia Polito e Ana Clara Souza
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21/06/2026


Por Júlia Polito e Ana Clara Souza

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Brigadas no exterior do Movimento Sem Terras são símbolo de resistência
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Enrico Peres, Fernando Amaral, João Palhares e Liz Ortiz
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18/06/2026

Por Enrico Peres, Fernado Amaral, João Lucas Palhares e Liz Ortiz

 

A história do MST sempre representou muita luta. O movimento, que foi formado em janeiro de 1984 a partir de uma união de trabalhadores rurais que convergiram no primeiro Encontro Nacional, realizado em Cascavel, no Paraná, é o resultado da grande necessidade de - no Brasil. Após o evento de janeiro de 84, foi realizado o primeiro Congresso do MST em janeiro de 1985, e dele as ideias de ocupação como forma de luta, junto dos princípios do movimento relacionados a luta pelas terras, reforma agrária e o socialismo começaram a ser idealizados.  Entre fracassos e sucessos, como o assentamento de 90 mil famílias graças ao Plano Nacional da Reforma Agrária, realizado em pequena escala em relação com a prévia inicial de 1,5 milhão, a realização do segundo Congresso do movimento, em Brasília, com a reafirmação das ocupações em pauta, o MST crescia em sua infraestrutura e dentro do âmbito político nacional. 

Junto a isso, em 1993, foi criado a Via Campesina, um conjunto internacional que aglutinava organizações camponesas, pequenos agricultores, trabalhadores agrícolas e comunidades indígenas. A fundação oficial do grupo se deu em uma conferência internacional realizada em Mons, na Bélgica, com presença do MST, que era aliado desde antes da concepção da Via Campesina. Com esse conjunto operante, se abriram portas dentro do MST para dialogar com movimentos campesinos no mundo inteiro em prol de restaurar a soberania alimentar em países agredidos pelo imperialismo. 

A história do MST sempre representou muita luta. O movimento, que foi formado em janeiro de 1984 a partir de uma união de trabalhadores rurais que convergiram no primeiro Encontro Nacional, realizado em Cascavel, no Paraná, é o resultado da grande necessidade de - no Brasil. Após o evento de janeiro de 84, foi realizado o primeiro Congresso do MST em janeiro de 1985, e dele as ideias de ocupação como forma de luta, junto dos princípios do movimento relacionados a luta pelas terras, reforma agrária e o socialismo começaram a ser idealizados.    Entre fracassos e sucessos, como o assentamento de 90 mil famílias graças ao Plano Nacional da Reforma Agrária, realizado em pequena escala em relação com a prévia inicial de 1,5 milhão, a realização do segundo Congresso do movimento, em Brasília, com a reafirmação das ocupações em pauta, o MST crescia em sua infraestrutura e dentro do âmbito político nacional.   Junto a isso, em 1993, foi criado a Via Campesina, um conjunto internacional que aglutinava organizações camponesas, pequenos agricultores, trabalhadores agrícolas e comunidades indígenas. A fundação oficial do grupo se deu em uma conferência internacional realizada em Mons, na Bélgica, com presença do MST, que era aliado desde antes da concepção da Via Campesina. Com esse conjunto operante, se abriram portas dentro do MST para dialogar com movimentos campesinos no mundo inteiro em prol de restaurar a soberania alimentar em países agredidos pelo imperialismo.    Mulheres Membras da Vía Campesina em Tlaxcala, México, em 1996. Reprodução: Capire  O MST começou a organizar brigadas internacionais, mas foi antes das brigadas e até antes da criação da Via Campesina que o MST possui essas relações e ambições internacionais. Conversamos sobre a história do Internacionalismo do movimento e sobre as brigadas com Judite Santos, membro da Coordenação Nacional e militante do MST. Para ela, o Movimento sem Terras nasceu como uma organização internacionalista, carregando heranças de lutas anteriores no Brasil e na América Latina
Mulheres Membras da Vía Campesina em Tlaxcala, México, em 1996. Reprodução: Capire

O MST começou a organizar brigadas internacionais, mas foi antes das brigadas e até antes da criação da Via Campesina que o MST possui essas relações e ambições internacionais. Conversamos sobre a história do Internacionalismo do movimento e sobre as brigadas com Judite Santos, membro da Coordenação Nacional e militante do MST. Para ela, o Movimento sem Terras nasceu como uma organização internacionalista, carregando heranças de lutas anteriores no Brasil e na América Latina e revoluções que estavam acontecendo junto da crescente do MST. Essa bagagem histórica faz os militantes carregarem esse senso de senso de processo revolucionário, de estarem fazendo por meio das brigadas, segundo Judite, um dever humanitário.  

Os militantes que se voluntariam para as missões internacionais são coordenados e orientados antes das missões, para estarem preparados na hora do contato com uma cultura diferente, realizando um processo de estudo sobre a história e da formação social, política e econômica do país para evitar um grande choque cultural. Isso se dá pelas brigadas não serem apenas missões ocupacionais, são também uma ajuda com objetivo de restaurar a cultura de povos sob ameaças constantes do imperialismo. Ao realizar uma brigada internacional, as pessoas que lá vão entram também em contato com comunidades agredidas que precisam de ajuda.  

Na Zâmbia, o MST faz um processo de alfabetização com crianças e adultos da região, assim como já fizeram em Cuba. Atualmente, existem brigadas na Zâmbia, Venezuela, onde atuam desde 2005 e no Haiti, que, após o terremoto que devastou o país em 2010, sempre é ajudado pelos militantes. Na Venezuela, com os acontecimentos recentes do ataque imperialista que o governo estadunidense realizou, aconteceu a Brigada Pela Solidariedade, que levava a juventude do MST para visitar o território.  Uma outra grande missão foi a Brigada Ghassan Kanafani, realizada na Palestina que ajudava camponeses na colheita de azeitonas, pois lá era uma área que constantemente era atacada pelo exército de Israel. Devido ao aumento do conflito e das invasões israelenses, a brigada não consegue mais ser realizada. 

Além das brigadas, Judite contou também de sua história e sua relação com o movimento. Filha de trabalhadores rurais, ela cresceu com o projeto em sua vida e, em sua formação, foi se tornando uma militante. A família de Judite, que não possuia terras, conheceu e entrou no MST após o massacre de Eldorado dos Carajás, realizado em abril de 1996. Na ocasião, uma manifestação de reinvindicações dos direitos dos trabalhadores, que fizeram uma marcha até a cidade de Belém, no Pará, acabou com a morte de 21 trabalhadores pela polícia do estado do Pará. Esse acontecimento levou a intensificação pela luta de terras. Hoje, a família de Judite é assentada e ainda é ativa no MST.  

Judite Santos durante a Secom, em 2024. Foto: Rafa Neddermeyer/ Secom
Judite Santos durante a Secom, em 2024. Foto: Rafa Neddermeyer/ Secom

A luta do Movimento Sem Terras continua, com diversas articulações internacionais, movimentos, organizações que conseguem se mobilizar para o futuro da luta dos povos, cada vez dialogando mais com diferentes povos. A Via Campesina, hoje, abriga 180 organizações e mais de 80 países, e se articula com o objetivo de lutar pela independência e pela soberania de países agredidos. 

 

 

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Após anos de permanência no território, moradores veem a regularização da terra se aproximar e celebram uma trajetória marcada por trabalho, luta e pertencimento. 

por
Maria Dantas, Pedro Menezes e Yan Gutterres
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18/06/2026

Por Maria Dantas, Pedro Menezes e Yan Gutterres

 

Em uma área cercada por condomínios de alto padrão e pela intensa valorização imobiliária da Região Metropolitana de Campinas, centenas de famílias celebram uma trajetória marcada pela resistência, pela produção de alimentos e pela luta por moradia e reforma agrária. O Acampamento Marielle Vive, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), completa oito anos de existência, se consolidando como uma das principais experiências de organização popular do estado de São Paulo.

Fundado em 2018, o acampamento surgiu a partir da ocupação da fazenda Eldorado Empreendimentos, considerada improdutiva em Valinhos. Desde então, o local passou por disputas judiciais, ameaças de despejo e desafios relacionados à permanência das famílias no território. Apesar das dificuldades, a comunidade conseguiu estruturar uma experiência coletiva que vai além da reivindicação pela terra, incorporando práticas de produção agrícola, educação popular, preservação ambiental e fortalecimento dos laços comunitários. O nome escolhido para o local homenageia a vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro poucas semanas antes da ocupação. A escolha refletia o momento político vivido pelo país e também os valores defendidos pelas famílias que chegavam ao terreno: a luta por direitos, justiça social e participação popular.

No dia 18 de julho de 2019, as famílias do MST estavam na Estrada do Jequitibá, na cidade de Valinhos, interior de São Paulo, realizando um ato de denúncia aos poderes públicos locais por conta da falta da garantia do direito à água. Entre elas estava Seu Luís, como era conhecido por todos, um nordestino que, como tantos homens e mulheres, tinha migrado à região sudeste do Brasil em busca de trabalho. Neste dia, Seu Luís foi atropelado pelo vendedor Léo Luiz Ribeiro durante uma manifestação por falta d’água de moradores. A caminhonete acelerou por trás de um ônibus que estava parado, entrou na contramão e passou por cima das pessoas (acampadas e apoiadores) que estavam participando da jornada pela água e fugiu sem prestar nenhum socorro.

Gerson Oliveira, coordenador do acampamento, conta que a fazenda já tinha sido ocupada cerca de dez anos antes do Marielle Vive, mas foram despejados de forma violenta após mobilização e forte repressão da tropa de choque. Decidiram, então, em 2015 retomar o trabalho de base em Campinas, e passaram a estudar a realidade econômica da região e de como a crise se instalava nas periferias, influenciado pela saturação da região metropolitana de São Paulo, onde o município do interior paulista passou a ser o foco da imigração. A cidade, porém, não conseguia mais acolher os trabalhadores na mesma intensidade de antes, o que resultou na formação de bairros periféricos.

Coordenador do Acampamento, Gerson Oliveira, discursando no aniversário do acampamento
Gerson Oliveira discursando no aniversário do acampamento. Foto: Yan Gutterres

A cidade de Campinas foi fundamental para o processo de retomada daquela terra. Gerson relata que foi uma redescoberta de Campinas pelo MST, pois ali era uma região que sempre deu bons frutos para o movimento, contribuindo para a exportação de militantes, sendo crucial para a construção do MST no estado de São Paulo, já que muitos dos trabalhadores vivendo nas áreas periféricas da cidade já haviam participado da luta anteriormente, então o contato e principalmente o convencimento de retomar esse processo de luta aconteceu de maneira muito fácil e muito natural.

Enquanto o primeiro ônibus chegava na frente da fazenda, o último comboio ainda estava chegando na cidade de Valinhos, há cerca de 8,5km dali. Quando as primeiras famílias chegaram à área, na madrugada do dia 14 para o dia 15 de abril de 2018, encontraram um terreno marcado pelo abandono. O que viria depois foi resultado de um processo coletivo construído diariamente por homens, mulheres, jovens e crianças que decidiram apostar na permanência e na organização comunitária. Segundo Gerson, o cenário era de muito frio - menos de 10°C - e o mato estava em uma altura que chegava até a cintura. Diante disso, de imediato os trabalhadores e trabalhadoras se mobilizaram. Ainda nas primeiras horas, começaram a surgir os primeiros esforços para erguer estruturas improvisadas, limpar áreas para barracos e organizar a ocupação do terreno, transformando o cenário de abandono em um ambiente em processo de construção comunitária. 

Apesar disso, o cotidiano do acampamento nunca se resumiu à disputa pela terra. Entre processos e tentativas de despejo nos tribunais, parte da comunidade se dedicava às articulações políticas e jurídicas pela permanência na área. Paralelamente, a produção agrícola foi se consolidando como eixo central da vida no território. Hortas comunitárias passaram a ocupar espaços antes tomados pelo mato, e diferentes culturas começaram a ser cultivadas de acordo com a experiência e o conhecimento trazido pelas próprias famílias. Aos poucos, o território passou a produzir alimentos que abastecem feiras, mercados locais e iniciativas de comercialização direta, aproximando produtores e consumidores.

O acampamento também teve sua importância no aspecto político. Em um momento no qual o Brasil passava por momentos turbulentos, desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, até a ascensão da extrema direita em 2018, com a eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Marielle Vive foi essencial, dando uma espécie de injeção de ânimo para a esquerda na região. Para Gerson, em determinado momento o local passou a ser uma trincheira, reunindo atos e juntando militantes de diversos partidos de esquerda. Ele também conta que era incrível olhar toda aquela mobilização, tanto por conseguir juntar diversas frentes para conversar sobre o processo de luta que estava sendo vivido ali, quanto pelo fato de nunca ter havido antes uma perspectiva de como a luta pela terra pudesse ser uma vanguarda de reunião da classe.

Uma das principais marcas do acampamento é a produção agrícola desenvolvida pelas famílias. Em áreas coletivas e lotes cultivados pelos moradores são produzidos alimentos como hortaliças, frutas, legumes e ervas medicinais, parte deles destinados ao consumo interno e parte comercializados em feiras e circuitos de economia solidária. Sueli Oliveira é uma das quase 800 pessoas que residem no acampamento, trabalhando principalmente na agricultura do local. Além da produção, os moradores organizam mutirões, assembleias e atividades coletivas que contribuem para a manutenção da infraestrutura local e para a tomada de decisões da comunidade. 

Sueli é um exemplo de como a luta pela terra segue viva. Ela relata que o acampamento a reencontrou depois de uma vida marcada pelo trabalho, pela criação dos filhos, pela viuvez e por uma sensação que o movimento soube acolher: a de que ainda havia lugar para ela na história. Sueli passou a infância na área rural, no Paraná, até que a lógica da monocultura e a necessidade de sustentar a família empurraram seus parentes para a cidade. Foi ali que a terra ficou para trás, enquanto o peso do trabalho se acumulava. 

No Marielle Vive, ela diz ter voltado, de algum modo, à primeira infância, e também a uma forma de pertencimento que havia se perdido ao longo do caminho. A vivência da agricultora se entrelaça à trajetória do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), oficializado em 1984, mas gestado na década de 1970 por meio de ocupações de áreas improdutivas. O movimento nasceu do encontro entre a concentração fundiária no Brasil, a modernização desigual do campo e a resistência de famílias que se recusaram a aceitar a exclusão como destino. Desde então, a reforma agrária deixou de ser apenas uma pauta legal e se tornou também uma disputa por permanência, trabalho e dignidade.

Sueli lembra que, no começo, não havia água encanada, o acesso era difícil e a rotina incluía ir até a cidade buscar água para a cozinha coletiva. Ela relata episódios de tensão com a polícia, que por vezes derrubava a água transportada para o acampamento, além de documentos rasgados e da sensação permanente de enfrentamento. Ainda assim, insiste ter sido ali que encontrou sentido para continuar. 

Sueli trabalhando na horta do acampamento
Sueli trabalhando na horta do acampamento. Foto: Maria Dantas

Enquanto trabalha na horta, ela conta que cada função dentro do acampamento é revezada entre os moradores a cada dia, desde a produção agrícola, passando pela manutenção da infraestrutura do acampamento, como moradias, cozinhas coletivas e espaços de convivência, até os trabalhos de educação e alfabetização, com atividades de Educação de Jovens e Adultos (EJA), projetos de alfabetização e formação política e cultural. Ela explica também que esse processo de participação coletiva vem desde a infância. As crianças que vivem no acampamento são incentivadas a acompanhar as atividades da comunidade e a compreender a importância do trabalho coletivo, da cooperação e do cuidado com a terra. 

A permanência no local representa também uma forma de resistência pessoal. Depois de criar os filhos e vê-los seguir a vida na cidade, Sueli diz que não queria se tornar um peso para a família nem passar a velhice isolada e adoecida. No movimento, encontrou outra forma de viver a maturidade: com tarefas, convivência e propósito.

Passada a comemoração pelos oito anos de luta, o Marielle Vive passa agora por uma etapa decisiva. Após anos de disputas judiciais, mobilizações e permanência no território, o governo federal anunciou em 2026 a compra dos terrenos da fazenda Eldorado para o assentamento das famílias que vivem no local. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) iniciou as tratativas para transformar a área em um Projeto de Desenvolvimento Sustentável, voltado à produção agroecológica e à preservação ambiental. 

Para os moradores, porém, o assentamento representa mais do que a regularização da posse da terra. Significa o reconhecimento de uma experiência construída coletivamente ao longo de oito anos, em que barracos deram lugar a moradias, áreas abandonadas se transformaram em espaços produtivos e a luta pela terra se converteu também em uma luta por pertencimento. Enquanto o processo segue em andamento, as famílias continuam cultivando alimentos, formando novas gerações e mantendo viva a organização comunitária que permitiu ao Marielle Vive resistir até aqui.
 

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