A participação dos estrangeiros na economia e na diversidade cultural da Austrália

25% da população da Austrália é composta por estrangeiros, e ao menos outros 25% possuem um parente que não nasceu em solo australiano, demonstrando um perfil multicultural.
por
Giordana Velluto
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27/04/2020

Uma pesquisa realizada pelo site “Descubra o mundo” divulga a Austrália como um dos países mais acolhedores de todos. Seus imigrantes vem de mais de 140 países diferentes, com uma presença marcante dos povos indígenas.
Diante dessa característica, o governo australiano reforçou a importância de seguir o movimento contrário ao fechamento da fronteira para os outros países, batendo de frente com um dos ideais americanos. Ressalta ainda essa política migratória como uma das principais justificativas do aumento do desenvolvimento humano e econômico no país, podendo ser considerado um índice muito alto. 
Hoje, a Austrália ocupa o terceiro lugar do ranking entre os países de maior índice de desenvolvimento humano (IDH) do mundo, com 0,938 e um crescimento de 0,0001 do que a medição do ano anterior, 2018.
A maioria dos imigrantes chega na Austrália com uma intenção de estadia temporária, mas depois muitos solicitam o visto para residir permanentemente. É natural que ocorra um processo de encantamento diante tantas oportunidades, o que faz com que o desejo por ingressar naquele mercado de trabalho aumente por consequência. E, ao contribuir pela economia local, o equilíbrio fiscal é favorecido, já que pagam mais impostos do que demandam serviços sociais públicos. Assim, o governo valoriza a participação dos imigrantes nas características que hoje, destacam a Austrália como um dos melhores países para se viver.
Além disso, a riqueza e a diversidade cultural são outros destaques nos traços do país. Isso se deve ao povo que ali antes habitava, os aborígenes. Os costumes, a linguagem, a religião e a cultura deles variavam de acordo com a região que ocupavam. Como seus estilos de vida e culturas foram passados de geração em geração, carregaram influências nos aspectos atuais do território.

Foto: Alunos Online UOL
Os aborígenes australianos são os habitantes originais da Oceania


A tradição gastronômica, por exemplo, sofreu influência asiática, por conta da proximidade com países como China, Japão, Índia e Malásia, além de carregar fortemente até hoje hábitos dos colonos britânicos. O prato mais consumido é frutos do mar e peixe, tirando proveito da extensão litorânea do país. Por outro lado, um dos pratos típicos de lá também é o churrasco, acompanhado de legumes e verduras e um bom vinho australiano, tradicionalmente servido no dia 26 de janeiro, quando é comemorado o “Australian Day” (Dia da Austrália).
Outro fator que também sofreu impactos com a pluralidade cultural foi a religião. A Austrália não tem uma doutrina oficial, apesar da forte presença da Igreja Anglicana no território. Segundo dados levantados pela ABS (Australian Bureau of Statistics), em 1991, cerca de 74% dos moradores se consideravam cristãos, hoje, esse número caiu para 52%, sendo seguido pelo islamismo (2,6%) e o budismo (2,4%). Há desde igrejas, até mosteiros e sinagogas espalhados por todo o solo australiano.
O mesmo acontece com a língua. Formalmente, o país não tem uma língua oficial, mas o inglês acaba exercendo esse papel pela praticidade já que 72% da população usa o inglês australiano no dia a dia. Porém, outros idiomas como o mandarim, italiano, árabe e grego também são falados. Segundo o site da ABS, cerca de 55.000 australianos falam no mínimo uma língua indígena dentro de suas próprias casas.
Com toda essa pluralidade que abre margem para preconceitos, uma das características mais fascinantes da cultura dos aussies é o respeito que um tem pelo outro e a maneira que todos são tratados de “igual para igual”, principalmente em relação às profissões. Independente da faixa salarial, tanto os trabalhos físicos e manuais, quanto os demais, são valorizados de maneira que se conquistou um salário mínimo de 20 dólares australianos por hora.
Diferente da maioria dos outros países, o preconceito na Austrália não se direciona a uma determinada raça, religião ou orientação sexual, mas sim a pessoas que praticam atos contrários aos costumes e regras locais. Ferir uma lei social é certamente motivo para se tornar alvo de julgamentos negativos e até levar a  estereotipação de determinados grupos, não por suas características propriamente ditas, mas por uma atitude considerada desrespeitosa em relação a cultura local.
Não é atoa que os australianos são conhecidos como um povo muito receptivo, essa característica é um reflexo de sua história. Afinal, o país foi inicialmente colonizado para ser um “exílio”, onde os prisioneiros da Inglaterra eram enviados para cumprir pena. Automaticamente, criou-se essa cultura migratória desde a formação dessa nação, e hoje, a área da educação estrangeira (indústria de intercâmbio) é o terceiro maior mercado de exportação da Austrália.
Um dos programas do governo australiano para atrair ainda mais estrangeiros é o Destination Australia, que oferece 1180 bolsas de estudo em 35 universidade do país, entre as mais renomadas como a Queensland University, University of Melbourne e University of Western Australia. Além de cursos técnicos e até pós-graduação, que chegam a custar 15 mil dólares australianos por ano.

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