Comércio local movimenta a economia na Vila Beatriz, em São Paulo

Moradores e pesquisas retratam a importância do comércio local
por
Rodrigo Vaz Guimarães Mendonça
|
12/05/2022

Por Rodrigo Mendonça

O dia de quarta-feira, nos arredores da Rua Padre Arthur Somensi no bairro da Vila Beatriz na zona oeste de São Paulo é parecido Por volta das seis da manhã os feirantes começam a montagem de suas barracas, o cheiro dos produtos começa a subir no ar, principalmente dos peixes e das carnes e a certeza é a de que o dia é de feira. Aos poucos os moradores e empregadas domésticas dos moradores do bairro vão chegando para fazer suas compras, o sacolão na rua ao lado também é um local muito procurado.

Na mesma rua também fica a papelaria do bairro com produtos que vão de cadernos a cartões de aniversário e brinquedos infantis. Na rua de cima está a padaria local que é sempre muito movimentada, com seus pães e bolos além de uma promoção que garante um bolo caseiro na troca por duzentos reais em moedas. No lado oposto da rua fica localizada uma das duas farmácias do bairro, que junto a lavanderia da região são os únicos comércios locais franqueados de grandes empresas nacionais e não estabelecimentos menores geridos por moradores do próprio bairro.

Na mesma rua também se localiza uma loja de tintas, um lava rápido  e um técnico especializado em televisores. Um pouco mais afastado dessas ruas está uma agência dos correios, o único comércio de origem estatal no bairro. Na rua de cima está o sapateiro que conserta desde bolsas e mochilas até sapatos. Próximo da sapataria está o bar local, que todas as noites se enche de clientes, para beber e comer uma das pizzas ou esfihas servidas por lá.

Em geral, a grande maioria dos moradores da região da Vila Beatriz reconhece a importância do “comércio de bairro”, seja pela praticidade de estar sempre próximo do local para fazer as  compras ou sair para comer. Outro ponto notado é a ajuda financeira que os vizinhos de bairro

Segundo dados apurados pela “Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços da Fecomercio”, que abrange o ano de 2021, o setor de serviços em São Paulo cresceu 17% nesse período, o que demonstra uma maior procura por estabelecimentos comerciais locais nos últimos anos, segundo dados da consultoria “Urban Systems” para a revista Exame, em 2021, São Paulo esteve entre os 100 melhores municípios brasileiros para se fazer investimentos em negócios, principalmente nos setores do comércio, mercado imobiliário e educação.

 A pandemia da COVID-19 potencializou esses números, pois com a impossibilidade do deslocamento entre grandes distâncias, os moradores deram preferência ao comércio dos bairros onde moram, o que acabou contribuindo ainda para que muitos negócios locais conseguissem se manter ativos durante esse período mesmo enfrentando tantos problemas e questões econômicas.

Segundo Fabio Pina, economista e porta-voz da FecomercioSP, o comércio de vizinhança como gosta de chamar,  sofreu esse efeito pois durante esse período de pandemia, a grande maioria dos moradores de grandes cidades ficou confinada em casa e para "manter a sanidade mental", combinada com grandes custos de deslocamento e estacionamento para ir ao comercio de costume, preferiram comprar nos estabelecimentos locais, mesmo que os produtos e mercadorias fossem mais caros que nos locais de compra habituais, pois no final, a conta total ficava mias vantajosa. Por exemplo, o produto no mercadinho do bairro é mais caro do que no grande supermercado da região, porém com o custo de combustível e estacionamento, isso se tornava a situação mais favorável.

Na região da Vila Beatriz, os moradores destacam a importância dos bares, restaurantes, mercados, lojas e outros negócios locais, seja pela qualidade dos produtos disponíveis  ou pela praticidade de deslocamento até eles.

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